Arquivo de Paulo Derengoski - Cidade SC Portal de Notícias https://tukosolutions.com.br/category/colunistas/paulo-derengoski/ CIDADE SC Portal de Notícias Wed, 04 Feb 2026 17:07:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://tukosolutions.com.br/wp-content/uploads/2026/06/cropped-LOGO-1-32x32.png Arquivo de Paulo Derengoski - Cidade SC Portal de Notícias https://tukosolutions.com.br/category/colunistas/paulo-derengoski/ 32 32 O Reduto da Morte (Guerra do Contestado) por Paulo Ramos Derengoski https://tukosolutions.com.br/o-reduto-da-morte-guerra-do-contestado-por-paulo-ramos-derengoski/ https://tukosolutions.com.br/o-reduto-da-morte-guerra-do-contestado-por-paulo-ramos-derengoski/#respond Wed, 04 Feb 2026 17:07:29 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=7612 Após a saída do grupo de fiéis da região de São Sebastião, formou-se uma nova organização social entre os chamados “pelados”. Eles adotaram uma vida marcada por rituais religiosos intensos, jejuns, orações e práticas de purificação, rompendo simbolicamente com a antiga sociedade. Os homens raspavam cabelos e barbas e se reconheciam como parte de uma

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Após a saída do grupo de fiéis da região de São Sebastião, formou-se uma nova organização social entre os chamados “pelados”. Eles adotaram uma vida marcada por rituais religiosos intensos, jejuns, orações e práticas de purificação, rompendo simbolicamente com a antiga sociedade. Os homens raspavam cabelos e barbas e se reconheciam como parte de uma nova irmandade espiritual, oposta à ordem republicana vigente.

Buscando dialogar com esse grupo, mediadores tradicionais da região foram enviados aos sertões. Entre eles estava um líder popular respeitado, conhecido por sua postura conciliadora e por seu vínculo com o povo simples. Ao perceber o clima de radicalização crescente, tentou convencer os fiéis a retornarem para suas casas. A tentativa, no entanto, foi recebida com hostilidade, sinalizando que o movimento já se encontrava preparado para o confronto.

Nesse contexto, Euzébio Ferreira dos Santos fundou o arraial de São Bom Jesus do Taquaruçu, em dezembro de 1913. No centro da comunidade, símbolos religiosos e guerreiros se misturavam, expressando a fusão entre fé e luta. Ali, acreditava-se no retorno do messias, que viria montado em um cavalo branco e armado, liderando a redenção dos sertões.

Taquaruçu passou a ser vista como uma terra sagrada e encantada, onde não haveria morte e onde os fiéis estariam protegidos por forças espirituais. A crença misturava elementos do catolicismo popular com referências indígenas, especialmente ligadas à ideia de destruição e recriação do mundo como forma de punição aos responsáveis pela devastação da terra.

No início de 1914, centenas de caboclos com suas famílias já se concentravam no reduto, vindos de várias regiões do sertão catarinense e paranaense. Ao mesmo tempo, crescia a expectativa de um ataque das forças oficiais. A liderança do movimento passou a organizar a resistência, buscando instrução militar e aquisição de armas.

Armas modernas começaram a chegar ao reduto por rotas clandestinas, enquanto a população local produzia instrumentos rústicos de combate. Com isso, os fiéis deixaram de ser apenas devotos e assumiram o papel de combatentes. Em suas crenças, transformavam-se em guerreiros invencíveis, integrantes de um “exército encantado”, guiado por líderes religiosos considerados profetas.

A partir desse momento, o destino do movimento estava traçado. A radicalização, a militarização e a fé absoluta na proteção divina prepararam o cenário para uma tragédia iminente. Do outro lado, o Estado organizava a repressão, dando início a uma reação violenta que marcaria profundamente a história da Guerra do Contestado.

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O reduto da morte I por Paulo Ramos Derengoski https://tukosolutions.com.br/o-reduto-da-morte-por-paulo-ramos-derengoski/ https://tukosolutions.com.br/o-reduto-da-morte-por-paulo-ramos-derengoski/#respond Tue, 16 Sep 2025 00:11:56 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=3839 Euzébio Ferreira dos Santos fundou o arraial de São Bom Jesus de Taquaruçu no dia 1º de setembro de 1913, cravando no centro de sua praça a espada de ferro do guerreiro morto e, no alto de uma capelinha, a cruz de madeira da nova religião. Ali, no alto daquele planalto áspero e frio ele

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Euzébio Ferreira dos Santos fundou o arraial de São Bom Jesus de Taquaruçu no dia 1º de setembro de 1913, cravando no centro de sua praça a espada de ferro do guerreiro morto e, no alto de uma capelinha, a cruz de madeira da nova religião.

Ali, no alto daquele planalto áspero e frio ele esperava a volta do seu messias, afirmando que ele voltaria correndo pelas nuvens, montado em seu cavalo branco encilhado como armamento completo: lança de prata, facões de aço, boleadeiras de ferro…

Agitando o nome da bandeira do Divino, ele aconselhou, que todo o povo dos sertões de Serra-Acima largasse tudo – e se dirigisse para Taquaruçu “com seus teres e haveres”: tal era a cidade encantada onde os velhos ia ficar moços e onde moços não morreriam nunca. Terra sagrada, protegida pelo espírito guerreiro de cucuí, paraíso perdido de  Cadjurubê – o deus dos Kaigangs – que, depois de tudo destruir, recriará novamente o mundo. Primeiro refazendo a animalada e, depois, o homem, que antes será obrigado a regredir às cavernas com os dedos dos pés voltados pra trás, com os calcanhares sobre a nuca:  castigo e punição para quem deixou os dragões de ferro incendiarem as matas e derrubarem os pinheirais.

No começo de 1914, mais de trezentos caboclos com suas famílias já se encontravam no Reduto de Taquaruçu. E diariamente engrossava o populacho de todos os quadrantes do sertão: campos da Lapa, Vale do Rio do Peixe, carrascais do Iguaçu…

 

…CONTINUA…

 

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As Visões de Euzébio por Paulo Ramos Derengoski https://tukosolutions.com.br/as-visoes-de-euzebio/ https://tukosolutions.com.br/as-visoes-de-euzebio/#respond Thu, 26 Jun 2025 13:31:06 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=1490     Depois da morte de José Maria nos carrascais de Irani, uma grande agitação tomou conta da região contestada entre Paraná e Santa Catarina. Para a caboclada fanatizada, aproximava-se a hora da “guerra de São Sebastião”. acreditavam que, profeta sertanejo ressuscitava de sua cova rasa e despencaria dos céus – como um raio –

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Depois da morte de José Maria nos carrascais de Irani, uma grande agitação tomou conta da região contestada entre Paraná e Santa Catarina. Para a caboclada fanatizada, aproximava-se a hora da “guerra de São Sebastião”. acreditavam que, profeta sertanejo ressuscitava de sua cova rasa e despencaria dos céus – como um raio – para a vingança e o resgate.

E não apenas José Maria voltaria à vida: todos os que havian morrido no combate de Irani iriam se erguer das tumbas numa gigantesca tropa de mortos-vivos: imensa horda molambenta a engrossar as hostes do “exercito encantado”: o legendário “Colosso”, acampado agora no triste arraial de São Bom Jesus do Taquaruçu, lugarejo perdido entre as montanhas de Krijijimbre – e a serra geral dos Kaingang.

Chefiava-os um velho visionário, magriço, dentuço e ligeiro – Euzébio Ferreira dos Santos -, que passava os dias a repetir aos berros:”- Feliz daquele que avistar a cola do cavalo branco de seus Josemaria!!!”

 

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Causas da Guerra https://tukosolutions.com.br/causas-da-guerra/ https://tukosolutions.com.br/causas-da-guerra/#respond Wed, 04 Jun 2025 19:33:29 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=567 A duplicidade entre o fato e o argumento, entre o sono e o sonho, entre o real e o imaginário, entre o consciente e o inconsciente, sempre foi uma característica dos apocalípticos, dos catastróficos, dos profetas do caos, dos adventistas do “Millenium”. É isso que os mantém suspensos entre o céu e a terra –

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A duplicidade entre o fato e o argumento, entre o sono e o sonho, entre o real e o imaginário, entre o consciente e o inconsciente, sempre foi uma característica dos apocalípticos, dos catastróficos, dos profetas do caos, dos adventistas do “Millenium”.

É isso que os mantém suspensos entre o céu e a terra – entre o inferno e o paraíso.

Em todo o mundo, das várzeas lamacentas do Ganges aos abismos do delírio místico de Machu Picchu, atravessando os desertos ressequidos da Palestina ou as montanhas escarpadas do Tibet, as promessas messiânicas -seus paraísos e seus infernos – nunca se destinaram a indivíduos isolados, mas sim às grandes coletividades.

O reino milenarista sempre foi – sempre será – um reino futuro: pelo qual se espera em expectativa mística, em respeito, em genuflexão, em sofrimento, em dor…. Como Veremos nos próximos capítulos…

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A Batalha https://tukosolutions.com.br/a-batalha/ https://tukosolutions.com.br/a-batalha/#respond Thu, 29 May 2025 19:24:38 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=559 O acampamento rebelde rezava – e sonhava – quando foi atacado. José Maria imediatamente destacou diversos grupos de sertanejos para os capões de mato que cercavam o local. No “Quadro-Santo” (o centro do reduto, o coração da cidadela), deixou o grosso da tropa preparada para qualquer eventualidade. João Gualberto, ao perceber que os matos ao

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O acampamento rebelde rezava – e sonhava – quando foi atacado. José Maria imediatamente destacou diversos grupos de sertanejos para os capões de mato que cercavam o local. No “Quadro-Santo” (o centro do reduto, o coração da cidadela), deixou o grosso da tropa preparada para qualquer eventualidade.

João Gualberto, ao perceber que os matos ao redor estavam cheios de caboclos, começou a gritar para “estender linha” e “assentar ferros”.

Mas a metralhadora engasgava e não cuspia fogo…

A cena toda deve ter durado alguns minutos, porque logo os piquetes da cavalaria rebelde entrariam em ação. À frente deles vinha (como um possesso) o próprio José Maria, dando gritos medonhos de “Viva São João Maria”!” Vida a liberdade!”” Viva a coroa do céu”! e “Viva a coroa do Império!”

O coronel João Gualberto (que, diga-se de passagem, era um bravo, a morrer de armas na mão) fica encurralado entre o matagal da esquerda, o itaimbé da direita e o banhado detrás.

Endemoniados, os jagunços combatem de arma nobre (arma branca) – facões de aço e porretes de três quinas – e assumem a ofensiva. No corpo a corpo, os fuzis levam desvantagem para os pontaços, e a soldadesca começa a debandar, entre gritos apavorantes.

João Gualberto, ele próprio, cai do cavalo – que alguém lhe rouba para fugir – e é retalhado no aço da caboclada.

Mas também João Maria, reconhecido pelo seu gorro de pele de onça, arroja frente ao pó chumbado.

Terminada a refrega, treze soldados e um alferes estavam mortos no tremendal. A metralhadora, quarenta fuzis e mais de três mil balas caem nas mãos dos rebeldes, dentre os  quais haviam se destacado os homens do caudilho gaúcho Miguel Fragoso,  que, no entanto, não participou pessoalmente do combate.

Depois da vitória, a caboclada se dispersou dissimuladamente.

Novas forças, vindas do Paraná, deram uma varejada no terreno, mas inexperientes – nada encontrava, e deram o episódio por encerrado. Embora (na verdade), tudo estivesse apenas começando.

Pareciam até uma triste música de fundo, para acompanhar o barulho surdo do incêndio que começava a crepitar – a estalar – nos sertões do planalto em chamas.

Livro A Sangrenta Guerra do Contestado – Jornalista Paulo Ramos Derengoski

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O entrevero do Irani https://tukosolutions.com.br/o-entrevero-do-irani/ https://tukosolutions.com.br/o-entrevero-do-irani/#respond Mon, 03 Mar 2025 19:29:56 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=565 As serras azuladas do Irani: terrenos acidentados, ásperos, dobrados redobrados – cobertos de matas virgens, de pinheirais e imbuias, de faxinais, de caragoatazais, de vassourais, de pedreiras -, entremeados de campestres, sangas, banhados, arroios, peraus, precipícios, despenhadeiros, itaimbés, grotas, tremedais, cavernas… Desde finais do século passado, ali se haviam fixado imigrantes gaúchos vindos da margem

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As serras azuladas do Irani: terrenos acidentados, ásperos, dobrados redobrados – cobertos de matas virgens, de pinheirais e imbuias, de faxinais, de caragoatazais, de vassourais, de pedreiras -, entremeados de campestres, sangas, banhados, arroios, peraus, precipícios, despenhadeiros, itaimbés, grotas, tremedais, cavernas…

Desde finais do século passado, ali se haviam fixado imigrantes gaúchos vindos da margem esquerda do Uruguai, onde viviam rolando na miséria, apertados, sem terra. Dentre eles se destacava Miguel Fragoso, antigo soldado de Gomercindo Saraiva, agora metido a curandeiro e benzedor.

Em outubro de 1912, José Maria também lá perambulava, festando, ministrando beberagens, sonhando – lendo trechos do Livro “Carlos Magno e os Doze Pares de França”. Em Curitiba, no entanto, corria o boato de que o monge hvia proclamado a monarquia – e logo se deslocou em direção daqueles ermos uma tropa chefiada pelo coronel Joao Gualberto…

A história continua…

Livro A Sangrenta Guerra do Contestado – Jornalista Paulo Ramos Derengoski

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A Guerra https://tukosolutions.com.br/a-guerra/ https://tukosolutions.com.br/a-guerra/#respond Mon, 17 Feb 2025 19:34:57 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=569 A Guerra do Contestado – corria o ano de 1912 e muitas foram suas causas remotas e iniciais: aberrações sociais, patologia econômica, questões limítrofes entre estados, arrocho fiscal, surto messiânico, fanatismo religioso, disputas políticas provincianas, luta pela posse de terras, cobiça por pinheirais, açambarcamento de erva-mate, avanço de grupos estrangeiros, grilagem, ignorância, milenarismo, miséria… Devido

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A Guerra do Contestado – corria o ano de 1912 e muitas foram suas causas remotas e iniciais: aberrações sociais, patologia econômica, questões limítrofes entre estados, arrocho fiscal, surto messiânico, fanatismo religioso, disputas políticas provincianas, luta pela posse de terras, cobiça por pinheirais, açambarcamento de erva-mate, avanço de grupos estrangeiros, grilagem, ignorância, milenarismo, miséria…

Devido à falta da presença física da Igreja na região, o alimento espiritual daquele povo sempre fora fornecido pelos profetas, mandraqueiros, mágicos e benzedores que por ali viviam.

Dentre eles, destacou-se a figura patética de “São” João Maria (e os historiadores depois provariam ter existido mais de um João Maria), milagreiro e líder nato, venerada por populacho de Serra Acima. Mas foi um de seus discípulos mais ousados – José Maria – quem acendeu o pavio da guerra.

Barbudo, atarracado, cabeçudo, indiático, José Maria havia sido soldado raso da Polícia Militar do Paraná e não era um despreparado, embora trouxesse estampado (no facies e na fala) os traços característicos da paranoia. Não por acaso, seu livro de cabeceira – do qual nunca se separava – era “Carlos Magno e os Doze Pares de França”, donde tirava histórias fantásticas para contar e recontar aos caboclos embevecidos.

Depois de muito perambular pelo sertão, ele se estabeleceu nos campos do Irani e resolveu “proclamar a monarquia” nos sertões de Taquaruçu.

E o Estado do Paraná, que então cobiçava a região, logo embalou uma expedição militar que seria chefiada pelo Coronel João Gualberto, com ordens precisas para dispensar os fanáticos e trazê-los maneados um a um, para fazê-los desfilar nas ruas de Curitiba.

O choque armado que, em breve, iria se travar foi uma escaramuça quase. Um entrevero apenas. Uma pequena fagulha, se comparada com o vasto e incontrolável incêndio que durante quatro longos anos iria se alastrar pelos sertões do planalto em chamas.

A chamada “Guerra do Contestado” foi um dos episódios mais sangrentos da nossa história. Um saga à altura do grande massacre de Canudos, lá nos Sertões do Vaza Barris.

Mas que não teve, a descrevê-la, o talento de um Euclides da Cunha.

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O entrevero do Irani I https://tukosolutions.com.br/o-entrevero-do-irani-i/ https://tukosolutions.com.br/o-entrevero-do-irani-i/#comments Mon, 13 Jan 2025 22:26:22 +0000 https://tukosolutions.com.br/?p=562 Mas na região do horizonte, um desentendimento faz com que ela se divida em duas colunas: uma toma a direção de Palmas (visando guarnecer a cidade), a outra se embrenha (para sempre) nas veredas do Irani. No dia 20 de outubro, João Gualberto manda um bilhete a José Maria, intimando-o a depor armas “sob pena

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Mas na região do horizonte, um desentendimento faz com que ela se divida em duas colunas: uma toma a direção de Palmas (visando guarnecer a cidade), a outra se embrenha (para sempre) nas veredas do Irani.

No dia 20 de outubro, João Gualberto manda um bilhete a José Maria, intimando-o a depor armas “sob pena de desencadear contra ele uma guerra de extermínio, a fim de fazer voltar a ordem e a lei àqueles sertões”.

Um chefe político da região, o “coronel” Domingos Soares – espécie de pai de pobres, com vastas amizades, compadrios e parentelas – é encarregado de entregar a mensagem. Nessa missão (talvez conciliatória), ele chega pessoalmente a José Maria, que lhes diz na cara:” – não reconhecer valor em bilhete escritos a lápis!”

Sempre tentando contemporizar, Domingos Soares volta a João Gualberto e aconselha a não atacar o acampamento do profeta sertanejo, mesmo porque “ali estava muita gente bem armada”.

Ainda assim o militar resolver avançar – e às três e trinta da madrugada  nevoenta de 22 de outubro de 1912, levanta a tropa.

Dentro dos padrões da guerra clássica, sua infantaria (cerca de sessenta homens do Regimento de Segurança do Paraná) vai na frente. O comboio de munições e uma metralhadora Krupp marcham no meio. Na retaguarda segue um pelotão de onze cavalarianos bem montados, com lanças. Mas o que ele não sabia num rio caudaloso de 200 sertanejos em armas. E mais: a metralhadora e parte das munições logo seriam inutilizadas pelas águas, no vau de um arrio.

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