sábado , 7 março 2026

PARACLETOLOGIA

CURSO AVANÇADO EM TEOLOGIA

 

 

 

 

 

 

 

 

PARACLETOLOGIA

 

 

 

 

 

1/08/2016

A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO

(PNEUMATOLOGIA)

INTRODUÇÃO

Desde o dia de Pentecostes, o Espírito Santo tem exercido na igreja uma atividade fora do comum, especialmente neste século. Essa gloriosa verdade é para nós muito significativa, porque além de testemunhar da nossa própria experiência, corresponde à nossa pregação à luz das profecias, que a manifestação abundante do Espírito Santo é um dos sinais distintos da iminente volta de Jesus Cristo.

A obra crescente do Espírito Santo em nossos dias destaca a importância do estudo a respeito da Terceira Pessoa da Trindade. É uma necessidade imperiosa conhecermos não apenas a doutrina, mas também o que o Espírito Santo pode e quer fazer em nós e por nós. É também pelo poder do Espírito Santo que a Igreja de Cristo pode triunfar sobre os poderes satânicos.

Muito erro e confusão existem hoje nos círculos teológicos quanto à personalidade, às operações e às manifestações do Espírito Santo. Eruditos conscientes, mas equivocados, têm sustentado pontos de vista não apenas errôneos, mas até mesmo absurdos a respeito dessa doutrina. Portanto, é vital para a fé cristã que o ensino bíblico a respeito do Espírito Santo seja visto em sua verdadeira luz e mantido em suas corretas proporções.

1 – A NATUREZA DO ESPÍRITO SANTO

A natureza do Espírito Santo se evidencia através da sua personalidade singular, da sua divindade, dos seus nomes e símbolos, conforme revelados tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

1.1 A Personalidade do Espírito Santo

Considerando o que a Bíblia ensina quanto à personalidade do Espírito Santo, concluímos que Ele não é simplesmente uma influência, como alguns creem e ensinam erradamente. O Espírito Santo é uma pessoa divina, como mostramos a seguir.

– Ele tem nomes que o identificam como uma pessoa: Jo. 14.16; 1Jo. 2.1.

– Ele se identifica com o Pai, com o Filho e com todos os cristãos: Mt. 28.19; 2Co. 13.13; 1Jo 5.7.

– Ele tem poder de decisão: At. 15.28.

– Ele pensa, tem vontade própria, sente tristeza, revela, ensina, dá testemunho de nossa filiação com Deus, intercede, fala, comanda, testifica de Jesus: Jo. 15.26; At. 16.6-7; Rm. 8.26-27; 1Co. 12.11; Gl. 4.6; Ef. 4.30; 2Pe. 1.21; Ap. 2.7.

– Alguém pode mentir-lhe: At. 5.3.

– Pode-se blasfemar contra Ele: Mt. 12.31-32.

1.2 A Deidade do Espírito Santo

As Escrituras claramente revelam ser o Espírito Santo uma pessoa divina definida:

– O Espírito Santo é chamado “Deus”: At. 5.3-4.

– O Espírito Santo possui atributos divinos, como:

. Eternidade: Hb. 9.14 . Onipresença: Sl. 139.7-10

. Onipotência: Lc. 1.35 . Onisciência: 1Co. 2.10 4

 

– O Espírito Santo realiza trabalhos divinos:

. Foi o Espírito Santo quem deu vida à criação: Gn. 1.2.

. É o Espírito Santo quem transforma o homem pecador em nova criatura, por meio do novo nascimento: Jo. 3.3-8.

. Foi o Espírito Santo quem levantou Cristo da morte, mediante a ressurreição: Rm. 8.11.

1.3 Os Nomes do Espírito Santo

São diversos os nomes dados ao Espírito Santo, que provam a sua natureza divina, dentre os quais destacamos os seguintes:

– Espírito de Deus: Gn. 1.2; 1Co. 3.16.

– Espírito de Cristo: Rm. 8.9.

– Espírito Santo: At. 1.5.

– Espírito de Vida: Rm. 8.2.

– Espírito de Adoção: Rm. 8.15-16; Gl. 4.5-6.

1.4 Os Símbolos do Espírito Santo

A Bíblia é um livro de figuras e símbolos. De forma específica, o Espírito Santo é mostrado nas Escrituras também através de símbolos, dentre os quais salientamos os seguintes:

Fogo (Lc. 3.16).

O fogo, como símbolo do Espírito Santo, fala da sua grande força em relação às diversas maneiras de sua operação, para corrigir os defeitos da nossa natureza decaída e conduzir-nos à perfeição que deve adornar os filhos de Deus.

Vento (At. 2.2).

Jesus falou do vento como símbolo do Espírito Santo. O vento é invisível, porém real. Não o podemos tocar, nem compreendê-lo, mas o sentimos (Jo. 3.8). A sua ação independe da determinação humana, como também a do Espírito Santo. A mesma palavra “pneuma”, que é usada em referência ao Espírito Santo, é também traduzida por “vento”, “ar” ou “fôlego”.

Água – Rio – Chuva (Jo. 7.37-39).

Em Jerusalém, no último dia da festa, Jesus levantou-se e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz as Escrituras, do seu interior fluirão rios de água viva”. Isto disse Ele com respeito ao Espírito Santo que haviam de receber os que nEle cressem.

Óleo – Azeite (Zc. 4.2-6).

Nas Escrituras o óleo aparece como um símbolo do Espírito Santo. Era usado nas solenidades de unção e consagração de profetas, sacerdotes e reis. É considerado símbolo do Espírito Santo porque era usado nos rituais do Antigo Testamento, correspondendo à operação real do Espírito Santo na vida do crente hoje.

Selo (Ef. 1.13; 2Tm. 2.19).

O selo é prova de propriedade, legitimidade, autoridade, segurança ou preservação (Mt. 27.66; Rm. 8.9). Estas palavras expressam a situação daqueles que foram selados pelo Espírito Santo. 5

 

Pomba (Mt. 3.16-17)

O Espírito Santo desceu sobre os discípulos no cenáculo em forma de fogo – havia o que queimar. Sobre Jesus, no entanto, veio na forma corpórea de uma pomba – símbolo de pureza e da inocência de Cristo.

2 – A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

A dispensação em que vivemos atualmente é um tempo oportuno para as atividades especiais do Espírito Santo entre os homens, como aquele sobre quem pesa a responsabilidade de alcançar todo este vasto universo, encaminhando os homens para Deus. Entretanto, sabemos que o mesmo Espírito também exerceu as suas atividades nos tempos passados. Muito antes do alvorecer dos tempos, Ele já existia como a terceira Pessoa da Trindade Divina.

2.1 O Espírito Santo na Criação

Muito antes do homem aparecer na terra, e mesmo antes da terra existir, o Espírito Santo já existia. A primeira parte de Gênesis 1.2 apresenta uma cena singular: a terra, uma massa informe, vazia e escura. Foi então que um raio de esperança brilhou, iluminando-a, antes mesmo que Deus ordenasse o aparecimento da luz. Lemos: “E o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”. Foi este aspecto diferente o primeiro prenúncio da perfeição das obras do Criador.

Com inspiração singular, diz o patriarca Jó que Deus “pelo seu Espírito, ornou os céus” (Jó 26.13). Isto é, através do seu Espírito, Deus não apenas formou o universo, mas também estabeleceu a ordem de ação de cada astro, do menor ao maior.

2.2 O Espírito Santo Antes do Dilúvio

Os primeiros versículos do capítulo seis de Gênesis pintam um quadro calamitoso. A terra estava corrompida. A maldade do homem não tinha limites. Era a depravação total da raça humana. Todos os pensamentos do coração do homem eram maus continuamente (Gn. 6.5). Diante disto, concluímos logicamente que os homens resistiam ao Espírito Santo, apesar da sua persistência em conduzi-los à consciência do erro e uma consequente volta para Deus.

Face à impenitência do homem, em estado de profunda tristeza, disse Deus a Noé: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem” (Gn. 6.3). Apesar disto, Deus ainda deu ao homem uma oportunidade que durou cerca de cento e vinte anos. Mesmo assim, em atitude de rebeldia contra Deus e seu Espírito, o homem continuou no pecado, pelo que foi destruído pelo dilúvio.

2.3 O Espírito Santo nos Líderes do Antigo Testamento

Dentre os grandes vultos do Antigo Testamento, em cujas vidas o Espírito Santo encontrou lugar para operar, destacam-se José do Egito, Moisés, os setenta anciãos de Israel, Bezaleel, Josué, Otoniel, Gideão, Jefté, Sansão, Saul e Davi. Por esta razão a história do Antigo Testamento os destaca de seus contemporâneos.

– José se evidenciou com capacidade para revelar mistério e com sabedoria para administrar – Gn. 41.8-38.

– Moisés mostrou autoridade divina para liderar e sabedoria para legislar o povo de Deus – Is. 63.11. 6

 

– Os setenta anciãos mostraram habilidade como cooperadores na condução dos filhos de Israel durante a peregrinação no deserto – Nm. 11.16-17,25.

– Bezaleel recebeu capacidade para construir o tabernáculo e para ensinar a outros o mesmo serviço – Êx. 31.1-4; 35.34.

– Otoniel adquiriu sabedoria para julgar Israel – Jz. 3.10-11.

– Gideão encontrou coragem para lutar – Jz.6.34.

– Jefté lutou e venceu os amonitas – Jz.11.29.

– Sansão encontrou força para libertar seu povo, que estava sob o jugo dos filisteus – Jz.14.19; 15.14.

– Saul foi contado entre os profetas, e assim continuou enquanto temeu a Jeová – 1Sm.10.6-10.

– Davi encontrou força para ser rei, poeta, cantor e profeta – 1Sm. 16.13.

– Os profetas trabalharam e agiram no poder do Espírito Santo, ministrando não para si mesmos, mas para nós da atual geração – Ez. 2.2; 2Pe. 1.21.

Assim, podemos notar a presença do Espírito Santo no Antigo Testamento em todos os passos da criação, quer das coisas animadas como das inanimadas. A sua presença e o seu poder atingem todo o universo, porque o Espírito Santo é Deus. Ele é o mesmo hoje, assim como no passado. Seu poder é de incalculável valor e de toda necessidade para os crentes dos nossos dias.

Terminada a época do Antigo Testamento, começou o período interbíblico, que durou mais ou menos quatrocentos anos, quando parecia que o Espírito Santo estava em silêncio. Nenhuma voz profética, inspirada pelo Espírito Santo, fora ouvida proclamando a mensagem de Deus ao seu povo. Essa época de silêncio, no entanto, foi seguida por um período de atividades espirituais sem precedentes.

O Espírito Santo agiu de forma abundante no Antigo Testamento, porém maior ocupação e maiores atividades estavam reservadas para o seu ministério no Novo Testamento.

2.4 O Espírito Santo em João Batista

A João Batista estava destinada uma missão de grande interesse dos céus. Por isso, o Espírito Santo manifestou-se nele, desde o ventre da sua mãe, de modo especial (Lc. 1.15). Ele foi cheio do Espírito Santo, pois nenhuma missão divina de grande importância pode ser realizada, a não ser pela unção do Espírito.

A presença do Espírito Santo no ministério de João Batista se evidência:

– Pela autoridade com que exortava o povo a preparar o caminho do Senhor: Lc. 3.2-4.

– Pela firmeza com que anunciava a salvação de Deus, a manifestar-se em Cristo: Lc. 3.5-6.

– Pela energia com que denunciava o pecado de seu povo, conclamando-o ao arrependimento para escapar do juízo iminente, qual machado já posto na raiz da árvore: Lc. 3.7-9.

– Pela segurança com que ensinava o caminho do retorno a Deus: Lc 3.10-14.

– Pela convicção com que predizia o caráter sobrenatural do ministério de Jesus, de quem era precursor: Lc. 3.15-18.

– Pela imparcialidade com que protestava contra o pecado do rei Herodes: Lc. 3.19. 7

 

2.5 O Espírito Santo em Cristo

Ninguém melhor que Jesus se identificou de forma tão plena com o Espírito Santo. Essa relação salienta a pessoa de Jesus como alguém:

– Concebido pelo Espírito Santo: Lc. 1.35.

– Ungido com o Espírito Santo: At. 10.38.

– Guiado pelo Espírito Santo: Mt. 4.1.

– Cheio do Espírito Santo: Lc 4.1.

– Que realizou seu ministério no poder do Espírito: Lc. 4.18-19.

– Ofereceu-se em sacrifício pelo Espírito: Hb. 9.14.

– Ressuscitado pelo poder do Espírito: Rm. 8.11.

– Que deu mandamentos aos apóstolos, após a ressurreição, por intermédio do Espírito Santo: At. 1.1-2.

– Doador do Espírito Santo: At. 2.33.

Jesus Cristo viveu toda a sua vida terrena dependendo inteiramente do Espírito Santo e a Ele se sujeitou.

2.6 O Espirito Santo em Relação ao Crente

Quanto à pessoa do crente, o Espírito Santo nele opera:

– Regenerando-o: Jo. 3.3-6;

– Batizando-o no corpo de Cristo: Jo. 1.32-34;

– Habitando nele: 1Co. 6.15-19;

– Selando-o: Ef. 1.13-14;

– Proporcionando-lhe segurança: Rm. 8.14-16;

– Fortalecendo-o: Ef. 3.16;

– Enchendo-o da sua virtude: Ef. 5.18-20;

– Libertando-o da lei do pecado e da morte: Rm. 8.2;

– Guiando-o: Rm 8.14;

– Chamando-o para serviço especial: At. 13.2-4;

– Orientando-o no serviço cristão: At. 8.27-29;

– Iluminando-o: 1Co. 2.12-14;

– Instruindo-o: Jo. 16.13-14;

– Capacitando-o: 1Ts. 1.5.

3 – O BATISMO COM O ESPIRITO SANTO

O evento do batismo com o Espírito Santo não deveria surpreender, nem confundir, os estudantes das Escrituras do Antigo Testamento, pois era uma bênção já prometida, relacionada com o plano da salvação em Cristo, e foi predito por Joel, Isaías, João Batista e Jesus: Is. 44.3; Mt. 3.11; Jo. 14.16-17; At. 2.16-18.

3.1 O Dia de Pentecostes

O dia de Pentecostes foi um dia singular para a Igreja e continua sendo. Nesse dia aprouve a Deus, por intercessão de Cristo, enviar o Espírito Santo a ocupar no mundo, e de 8

 

forma mais precisa atuar no seio da Igreja, uma posição sem paralelo na história da humanidade. Nesse dia cento e vinte frágeis discípulos de Jesus foram cheios do Espírito Santo e dotados de poder para testemunhar o Evangelho.

Como resultado da experiência do Pentecostes, Pedro pregou com tal poder que cerca de três mil almas se renderam aos pés de Jesus. Com autoridade sobrenatural, acusou seus ouvintes judeus de haverem entregado à morte o Filho de Deus, e exortou-os a se arrependerem de seus pecados. Isto disse como prelúdio, para logo informar-lhes que a conversão a Cristo resultaria em receberem a mesma experiência que observavam, com sinais poderosamente evidentes (At. 2.14-41).

Atente com interesse para este fato. Pedro proclamou que a promessa do batismo com o Espírito Santo se referia a todos os homens, e não somente àqueles que constituíam a assembleia ali reunida.

3.2 Para Quem É a Promessa? (At. 2.38-39)

Face a esta pergunta de ocasião, respondeu o apóstolo Pedro:

“A promessa é para vos” – os judeus ali presentes, representando os demais compatriotas, isto é, a nação com a qual Deus fizera a antiga aliança.

“Para os vossos filhos” – os que já existiam e as gerações sucessivas.

“Para todos os que estão longe, a quantos o Senhor nosso Deus chamar” – para todos, universalmente, para os gentios e para qualquer indivíduo que responda à chamada de Deus, através do Evangelho para a salvação em Cristo.

A promessa de Atos 2.39 indica que a gloriosa experiência do batismo com o Espírito Santo foi designada por Deus para todos os crentes, desde o dia de Pentecostes até o fim da presente dispensação.

O enchimento do Espírito Santo, assinalado pelo falar em outras línguas, como aconteceu no dia de Pentecostes, deveria ser o modelo para essa experiência, para qualquer indivíduo, através da dispensação da Igreja.

3.3 A Natureza Deste Batismo

Várias palavras e expressões são usadas para simbolizar e descrever a vinda do Espírito Santo aos crentes e seu ministério através destes. Considere algumas dessas expressões, como seguem:

Derramamento. Esta palavra é usada frequentemente nas Escrituras, com referência ao Espírito Santo e a sua vinda ao crente. O sentido original da palavra tem referência à comunicação de alguma coisa vinda do céu com grande abundância (Jl. 2.28-29).

Batismo. O recebimento do Espírito Santo é figurado como batismo: uma total, gloriosa e sobrenatural imersão no Divino Espírito, o que revela a maneira gloriosa como o Espírito envolve, enche e penetra a alma do crente. Assim todo o nosso ser se torna saturado e dominado com a presença refrigeradora de Deus, pelo seu Espírito Santo.

Enchimento. Quando o Espírito veio sobre os discípulos no cenáculo, eles foram cheios do Espírito. Evidenciaram estar cheios a ponto de parecerem estar “embriagados” (At. 2.13). Esse enchimento não se deu em gotas caídas como através de uma peneira. No Pentecostes a plenitude do Espírito os encheu inteiramente, de tal modo que andavam de um lado para outro, falando em novas línguas. 9

 

4 – OS DONS DO ESPIRITO SANTO

Os dons do Espírito Santo podem ser descritos como uma dotação ou concessão especial e sobrenatural de capacidade divina para um serviço especial, na execução do propósito divino para e através da Igreja. Em resumo, é uma operação especial e sobrenatural do Espírito Santo por meio do crente. Numa definição mais resumida, Horton define os dons do Espírito Santo como sendo as faculdades da pessoa divina operando no homem.

4.1 A Classificação dos Dons Espirituais

Os dons do Espírito Santo, relacionados em 1Coríntios 12.1-11, dividem-se em três grupos distintos, como segue:

DONS DE REVELAÇÃO: Palavra do Conhecimento

Palavra da Sabedoria

Discernimento de Espíritos

DONS DE PODER: Dons de Curar

Operações de Milagres

DONS DE INSPIRAÇÃO: Variedade de línguas

Interpretação das línguas

Profecia

4.2 Definição dos Dons Espirituais

  1. a) Palavra do Conhecimento. Este dom tem sido definido como sendo a revelação sobrenatural de algum fato que existe na mente de Deus, mas que o homem, devido às suas naturais limitações, não pode conhecer, a não ser que o Espírito Santo o revele. Exemplos da manifestação deste dom são encontrados nos ministérios de Samuel (1Sm. 9.15-20; 10.22), Aías (1Rs. 14.6), Eliseu (2Rs. 5.20-26; 6.8-12), Jesus (Mt. 16.23; Lc. 19.5; Jo. 1.48; 4.18), Pedro (At. 5.3-4) e Paulo (At. 27.23-25).
  2. b) Palavra da Sabedoria. Este dom é uma palavra (uma proclamação, uma declaração) de sabedoria, dada por Deus através da revelação do Espírito Santo, para satisfazer a necessidade de solução urgente de um problema particular. Não se deve confundi-lo, portanto, com a sabedoria num sentido amplo e geral.
  3. c) Discernimento de Espíritos. Através deste dom, Deus revela ao crente a fonte e o propósito de toda e qualquer forma de poder espiritual. Através deste dom, o Espírito Santo revelou a Paulo que tipo de espírito operava através da jovem advinha de Filipos (At. 16.18) e fê-lo resistir a Elimas, condenado à cegueira (At. 13.11). Note que não se trata do “dom” (mau hábito) de julgar ou fazer mau juízo de outras pessoas.
  4. d) Dons de Curar. No grego, tanto o dom (curar), como o seu efeito, estão no plural, o que dá a entender que existe uma variedade de modos na operação deste dom. Assim, um servo de Deus pode não ter todos os dons de curar, e, por isso, às vezes muitos não são curados por sua intercessão. Por exemplo, Paulo orou pelo pai de Públio, que se achava com febre e desinteria na ilha de Malta, e o curou (At. 28.8), porém foi forçado a deixar seu amigo Trófimo doente em Mileto (2Tm. 4.20). Como são diferentes os tipos de enfermidade, é evidente que há um dom de cura para cada tipo de enfermidade, sejam elas enfermidades orgânicas, psicossomáticas ou espirituais. 10

 

  1. e) Operações de Milagres. Ambas as palavras aparecem no original grego no plural, o que sugere haver uma variedade de modos de milagre e atos de poder. Por milagres, ou maravilhas, entende-se todo e qualquer fenômeno que altera uma lei divina conhecida e pré-estabelecida. “Milagres” e “Maravilhas” são plurais da palavra “poder” em Atos 17.8 e significa: atos de poder gloriosos, sobrenaturais, que vão além do que o homem pode ver. Este dom opera especialmente em conexão com o conflito entre Deus e Satanás.
  2. f) Dom da Fé. Este dom envolve uma fé especial, diferente da fé para a salvação, ou da fé que é mostrada por Paulo como aspecto do fruto do Espírito (Gl. 5.22). O dom da fé traduz uma fé especial e sobrenatural, verdadeiro apelo a Deus no sentido de que Ele intervenha, quando todos os recursos humanos se têm esgotado. Foi este o tipo de fé com o qual foram dotados os grandes heróis da fé mostrados na grande galeria de heróis de Hebreus 11.
  3. g) Variedade de Línguas. Variedade de línguas é a expressão falada e sobrenatural de uma língua nunca estudada pela pessoa que fala. Uma palavra enunciada pelo poder do Espírito Santo, não compreendida por quem fala, e usualmente incompreensível para o ouvinte. Nada tem a ver com a facilidade de assimilar línguas estrangeiras, tão pouco nada tem a ver com o intelecto. É a manifestação da mente de Deus por intermédio dos órgãos da fala do ser humano.
  4. h) Interpretação das Línguas. O dom de interpretação das línguas e o único dom cuja existência ou função depende de outro dom, a variedade de línguas. Consequentemente, não havendo o dom de variedade de línguas, não pode haver a operação de interpretação dessas línguas. “Interpretação” aqui não é a mesma coisa que tradução. A interpretação geralmente alonga-se mais que uma simples tradução.
  5. i) Profecia. A profecia é uma manifestação do Espírito de Deus, e não da mente do homem, concedida a cada um visando um fim proveitoso (1Co. 12.7). Embora o dom da profecia nada tenha a ver com os poderes normais do raciocínio humano, pois é algo muito superior, tal fato não impede que qualquer crente possa exercitá-lo, ainda que alguns o façam de maneira limitada (1Co. 14.31).

Bibliografia:

Doutrinas Bíblicas – Uma introdução à Teologia. Raimundo F. de Oliveira, EETAD, 2ª edição, 1991

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PARACLETOLOGIA – A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO

  1. INTRODUÇÃO

Para que se possa enquadrar a paracletologia em sua ordem lógica da teologia sistemática, é preciso compreender o seguinte:

ü Teontologia, o estudo do Deus Pai. Esta parte da teologia sistemática estuda as origens de todas as coisas, a Pessoa do Criador, seus atributos e sua criação. Neste ponto estuda-se a bibliologia e a angelologia.

ü Antropologia, o estudo do ser humano em relação ao criador. Os propósitos de sua criação, sua composição, etc.

ü Hamartiologia, o estudo do pecado. O que levou o homem a perder seu estado original e as consequências práticas do pecado.

ü Cristologia, o estudo de Cristo, aquele que Deus enviou para restaurar a situação do homem de afastamento e punição. A pessoa de cristo, seus atributos, sua obra, sua vida.

ü Soteriologia, o estudo da salvação. A obra que Cristo veio efetuar em favor do homem. Sua encarnação, nascimento, vida santa, morte substitutiva, ressurreição e ascensão.

ü Paracletologia, o Estudo do Espírito Santo, a aplicação dessa salvação ao coração do homem, sendo o Espírito aquele que convence do pecado, da justiça e do juízo, consolando, edificando, ajudando, ensinando e capacitando para viver de acordo com a Palavra de Deus.

ü Eclesiologia, o estudo da igreja, lugar fundado por Cristo no qual o Espírito Santo efetua essa obra de salvação.

ü Escatologia, a doutrina das últimas coisas. Trata da volta de Cristo e de todos os acontecimentos que envolvem este grande evento.

PARACLETOLOGIA 6

 

O ESTUDO DO ESPÍRITO SANTO

O estudo do Espírito Santo se chama paracletologia.

Etimologicamente, Paracletologia (grego): paracletos = Ajudador, Consolador, Advogado. Aquele que está ao lado; logia = estudo, doutrina.

Esta disciplina pode ser estudada em dois períodos:

ü No Antigo Testamento, época em que havia atividades e manifestações esporádicas e específicas do Espírito Santo em momentos determinados.

ü No Novo Testamento, a partir do dia de Pentecostes, registrado em Atos dos Apóstolos 2, as atividades do Espírito Santo se concretizam de maneira direta e contínua através da Igreja, enchendo os corações.

PARACLETOLOGIA 7

 

  1. O QUE É O ESPÍRITO SANTO?

Para melhor compreensão da necessidade em responder esta pergunta, vejamos as concepções sectárias a respeito:

Budismo e Hinduísmo: Não acreditam na existência do Espírito Santo;

Judaísmo: Espírito Santo é outro nome para a atividade de Deus na terra;

Espiritismo: O Espírito Santo é uma falange de Espíritos;

Nova Era: Para alguns pensadores, o Espírito Santo é uma força psíquica;

Testemunhas de Jeová: O Espírito Santo é uma força ativa, semelhante a uma corrente elétrica.

 

O ESPÍRITO SANTO É UMA PESSOA

O Espírito Santo possui todas as qualidades inerentes a uma pessoa. Desempenha as mesmas funções de um indivíduo; possui intelecto, emoção e vontade. Em geral, a atribuição de personalidade é relacionada a uma forma corpórea. Porém, Deus é Espírito. Não depende da existência de um corpo material. A seguir, as características da personalidade do Espírito Santo nas páginas da Bíblia Sagrada:

O Espírito Santo é tratado por pronomes pessoais

Jo 16.8: E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.

Jo 16.13,14: Mas, quando vier aquele Consolador, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.

O pronome “aquele” (grego: ekeinos) usado em Jo 16.8,13,14, indica a personalidade do Espírito Santo (em contraste com o pronome “aquilo”). No texto de Jo 14.16, a expressão “outro Consolador” também remete à personalidade do Espírito Santo. PARACLETOLOGIA 8

 

O Espírito Santo Pensa

Rm 8.27: E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

O Espírito Santo tem Vontade

1Co 12.11: Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.

O Espírito Santo ordena

At 16.6,7: Paulo e seus companheiros viajaram pela região da Frigia e da Galácia, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram entrar em Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu.

O Espírito Santo clama

Gl 4.6: E, porque vocês são filhos de Deus, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao coração de vocês, e ele clama “Aba Pai”.

O Espírito Santo intercede

Rm 8.26: Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

O Espírito Santo testemunha de Jesus Cristo

Jo 15.26: Quando vier o Conselheiro que eu enviarei a vocês da parte do meu Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, Ele testemunhará ao meu respeito. PARACLETOLOGIA 9

 

O Espírito Santo comissiona ministros

At 13.2: Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra que os tenho chamado.

O Espírito Santo Fala

Ap 2.7: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.

O Espírito Santo entristece-se

Ef 4.30: E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

O Espírito Santo Ensina

Jo 14.26: mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

É possível mentir ao Espírito Santo (Mas não é possível enganá-lo)

At 5.3: Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?

É possível blasfemar contra o Espírito Santo

Mt 12.31: Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.

Com base nestes versículos, extraídos da Palavra de Deus, e em conformidade com seus respectivos contextos, podemos negar as concepções sectárias e afirmar que o Espírito Santo é uma pessoa, e não qualquer outro tipo de manifestação. Uma vez que o Espírito Santo é, irrefutavelmente, uma pessoa, surge a pergunta: Quem é a pessoa do Espírito Santo? PARACLETOLOGIA 10

 

  1. QUEM É O ESPÍRITO SANTO?

A priori, é preciso analisar as concepções sectárias que reconhecem a personalidade do Espírito Santo, mas têm dificuldade em explicar “quem” ele é enquanto pessoa:

Ø Islamismo: Dividem-se em dizer que o Espírito Santo é o próprio Jesus ou o anjo Gabriel (que eles chamam de arcanjo).

Ø Mórmons: Veem-no como um deus separado do Pai e do Filho, composto por uma substância líquida através da qual Deus exerce influência.

Ø Igreja da Unificação: Ele é um espírito feminino que trabalha com Jesus no mundo dos espíritos com um propósito: Levar as pessoas ao reverendo Moon.

Ø Os Unicistas (Igreja Voz da Verdade, Igreja Local, seguidores de Yehoshua e outros): O Espírito Santo é o próprio Jesus, pois estes movimentos negam a doutrina da Trindade.

 

O ESPÍRITO SANTO É DEUS

A despeito do que afirmam os movimentos sectários, a Bíblia declara que o Espírito Santo é o próprio Deus. Não é um deus entre outros deuses, mas o único e verdadeiro Deus que subsiste eternamente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. No episódio que se passou com Ananias e Safira, estes mentem para Pedro. O apóstolo ensina que mentir para o Espírito Santo é mentir para o próprio Deus.

Atos 5.3: “Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? Não mentistes aos homens, mas a Deus”.

A deidade do Espírito Santo está implícita na do Pai e do Filho. Ela é a mesma nas três pessoas. Não se separa, mas pertence à mesma essência divina do único Deus. PARACLETOLOGIA 11

 

ATRIBUTOS DO ESPÍRITO SANTO

Ø Verdade

 

1Jo 5.6: Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.

Não a verdade como um conceito, mas a verdade divina. Jesus afirma ser, ele mesmo, o caminho, a verdade e a vida.

Jo 14.6: Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.

A Palavra de Deus é a verdade

Jo 17.17: Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

Essa verdade oriunda de Deus está atrelada às três pessoas da Trindade.

Ø Santidade

 

Mc 1.8: Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

O título Espírito Santo revela a separação do Espírito de Deus dos espíritos humanos ou angelicais. Santidade é atributo Divino e o Espírito é Divino.

Ø Vida

 

Rm 8.2: Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.

A vida (Gr: zoè) como Deus a tem é outorgada pelo Espírito na regeneração. PARACLETOLOGIA 12

 

 

Ø Sabedoria

 

Is 40.13: Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou?

Este texto revela a sabedoria divina comum ao Espírito santo.

Ø Eternidade

 

Hb 9.14: Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?

Criaturas de Deus como anjos e homens também viverão (ou morrerão) para sempre, mas a eternidade de Deus é diferente, pois Ele existe desde a eternidade. Diferente de suas criaturas que tiveram um início, Deus sempre existiu. Este atributo é reconhecido no Espírito Santo de Deus.

Ø Onipresença

 

Sl 139.7–10: Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Onipresença é o atributo da Trindade que a permite estar em todos os lugares e em todas as épocas ao mesmo tempo. O Espírito Santo penetra em todas as coisas e perscruta o entendimento humano, pois está presente em todos os lugares. Não se divide em várias manifestações, mas sua presença é total em cada lugar.

Ø Onipotência

 

Lc 1.35: E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

Onipotência é o atributo da Trindade em ter todo o poder que há no Universo físico ou espiritual. O mesmo poder que há no Pai, há no Filho e no Espírito Santo. PARACLETOLOGIA 13

 

Em sua onipotência, o Espírito Santo faz o que lhe apraz, realizando milagres e prodígios.

Rm 15.19: Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.

Ø Onisciência

 

1Co 2.10–11: Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

Onisciência é o atributo da Trindade em saber todas as coisas. Como o Pai e o Filho, o Espírito Santo tem total conhecimento de todas as coisas. Sua sabedoria é infinita, singular e indescritível. Ele sabe tudo acerca de si mesmo e do que criou.

Sl 139.2: Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. PARACLETOLOGIA 14

 

  1. OS NOMES E OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

OS NOMES DO ESPÍRITO SANTO

A Bíblia ainda revela nomes do Espírito Santo, o que mostra características da Pessoa do Espírito:

Ø Espírito de Deus: (hb. Ruach Yahweh) Traduzido por “Espírito do Senhor”.

 

Is 11.2: E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.

2Sm 23.2: O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra está na minha boca.

Ø Espírito de Cristo: Título que revela, além da personalidade do Espírito Santo, a divindade de Cristo e a doutrina da Trindade.

 

Rm 8.9: Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

1Pe 1.11: Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.

Ø Espírito da Vida: No novo nascimento, o Espírito dá a vida ao cristão.

 

Rm 8.2: Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. PARACLETOLOGIA 15

 

 

Ø Espírito da Adoção de Filhos: Ao receber o Senhor Jesus, o cristão recebe o Espírito Santo que o torna filho de Deus através da adoção.

 

Rm 8.15: Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.

Ø Espírito da Graça: É o Espírito Santo que manifesta a graça de Deus aos corações antes mesmo que o homem perceba isso. É a semente da regeneração que Jesus relata em João 3.

 

Hb 10.29: De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?

Ø Espírito da Glória: Glória relacionada à adoração da qual Deus é digno. Esta é despertada no convertido pelo Espírito Santo.

 

1 Pe 4.14: Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado.

OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO

Símbolos têm a finalidade de oferecer quadros concretos de coisas abstratas, ou seja, de revelar coisas espirituais através de coisas materiais.

Ø Vento: De origem hebraica, a palavra vento (ruach) significa, “sopro”, “espírito”, “vento”. Do grego pneuma, o significado é muito próximo ao de ruach. Este símbolo trata da natureza invisível do Espírito Santo.

 

Jo 3.8: O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Ø Água: Sendo uma necessidade vital, a água é símbolo do Espírito Santo para os crentes em Cristo Jesus.

 

Jo 7.38, 39: Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; PARACLETOLOGIA 16

 

porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

Ø Fogo: O fogo é símbolo do Espírito no que se refere à purificação

 

At 2.3: E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

Ø Óleo: Usado para ungir reis e sacerdotes, o azeite é o símbolo da consagração divina do crente para o serviço no Reino de Deus.

 

Zc 4.2-6: E disse-me: Que vês? E eu disse: Olho, e eis que vejo um castiçal todo de ouro, e um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas; e sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo. E, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda. E respondi, dizendo ao anjo que falava comigo: Senhor meu, que é isto? Então respondeu o anjo que falava comigo, dizendo-me: Não sabes tu o que é isto? E eu disse: Não, senhor meu. E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.

Lc 4.18: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração,

Ø Pomba: Símbolo de mansidão e paz, a pomba reflete o Espírito, manso nos momentos difíceis, dando paz aos corações.

 

Mt 3.16,17: E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Ø Selo: O selo prensado sobre a cera significa a certeza de um acordo, o acerto de um contrato. Na regeneração, o selo colocado por Deus pai na vida do cristão é a presença do Espírito Santo.

 

Ef 1.13: Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. PARACLETOLOGIA 17

 

  1. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO.

Convence do pecado

Jo 16.8: E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.

O Espírito Santo revela Jesus aos corações, fazendo com que o homem compreenda as verdades divinas, fazendo-o membro do corpo de Cristo.

Jo 14.26: Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

1Co 12.13: Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.

Sela o que o aceita

Ef 4.30: E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.

Como dito acima, este selo é a marca espiritual de Deus sobre os crentes. Significa que só Ele tem a autoridade de desatar este selo e que Sua promessa está garantida sobre as vidas dos seus.

Regenera os selados

Jo 3.5: Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

A regeneração é uma obra exclusivamente do Espírito de Deus, através da qual é implantada no coração do homem a disposição para as coisas santas, ou seja, o homem passa a ter condições espirituais de compreender as coisas de Deus e é capacitado a aceitar as verdades do cristianismo. PARACLETOLOGIA 18

 

Santifica os regenerados

Rm 8.6-9: Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

A partir da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente, de modo que a vida do homem começa a ser influenciada de forma santificadora.

1Co 6.19: Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Ao habitar no homem, o Espírito Santo. Purifica sua vida, dá a direção e produz qualidades que glorificam a Cristo.

Gl 5.22,23: Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.

Batiza

At 2.16,17: Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos;

O cristão recebe o Espírito Santo no momento da conversão. Essa manifestação inicial do Espírito está vinculada à salvação. Em outro momento, pode receber uma manifestação de poder que está vinculada à santificação. No próximo capítulo, o batismo no Espírito Santo será tratado mais detalhadamente.

Ministra dons espirituais

1Co 12.7-11: Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; PARACLETOLOGIA 19

 

e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

O Espírito Santo manifesta dons à igreja, com o objetivo de edificação. Em capítulo posterior, os dons espirituais serão estudados mais detalhadamente.

Capacita para o serviço cristão

Uma vez que o cristão recebe talentos especiais do Espírito e é capacitado por Ele, passa a ser capaz de realizar a obra do Senhor. Deus escolheu fazer uma obra perfeita através de seres imperfeitos, mas é o próprio Deus que outorga poder para testemunhar de Cristo e trabalhar de modo eficaz na igreja e diante do mundo.

At 1.8: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

Esse poder revestiu ao Senhor Jesus e aos discípulos, capacitando para a proclamação do evangelho.

Jo 1.32,33: E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

At 2.4: E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

At 1.8: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

At 4.31: E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.

Ser cheio do Espírito Santo é um requisito para o serviço cristão:

At 6.3: Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. PARACLETOLOGIA 20

 

  1. BATISMO NO ESPÍRITO SANTO E COM O ESPÍRITO SANTO

O BATISMO DO ESPÍRITO SANTO

O homem somente pode receber a salvação mediante a obra do próprio Espírito Santo.

Jo 16.8: E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.

Na verdade, todo crente que recebe Jesus, recebe o selo do Espírito.

Ef 1.13,14: Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

2 Co 1.21,22: Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

Ef 4.30: E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

O cristão cheio do Espírito Santo tem intimidade com o Senhor para ver Sua glória:

At 7.55: Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus.

A Bíblia fala de pessoas cheias do Espírito Santo que não participaram do episódio de Atos 2 nem de outras ocasiões em que houve a manifestação de línguas estranhas:

Lc 1.15: Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.

Lc 1.41: E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo. PARACLETOLOGIA 21

 

Lc 1.67 E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo e profetizou.

Lc 2.25: Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.

At 18. 24: E chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do SENHOR, conhecendo somente o batismo de João.

O Batismo do Espírito Santo ou o selo do Espírito Santo acontece uma única vez na vida, no momento da conversão e abrange todos os crentes. Está vinculado diretamente à obra da salvação, pois é a disposição para as coisas espirituais, a capacidade do homem para receber e compreender as coisas de Deus.

Assim, há diferença entre o “batismo do Espírito santo” e o “batismo com o Espírito Santo”. É perceptível no evangelho segundo João:

João 20.22: E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

Nessa passagem, Jesus sopra sobre os discípulos e estes recebem o Espírito Santo. Este é o batismo do Espírito, o selo da promessa. Tempos depois, eles estão reunidos em Jerusalém e recebem um revestimento tal que começam a falar em outras línguas. Este é o batismo com o Espírito Santo ou plenitude do Espírito.

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

At 2.1-4: E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Ao passo que o Batismo do Espírito acontece uma única vez na vida, no momento da conversão e está vinculado diretamente à obra da salvação, o batismo com o Espírito Santo ou a plenitude do Espírito acontece várias vezes na vida, servindo de um revestimento para o crente. Está vinculado à santificação, pois tem o objetivo de ajudar o devoto em seu crescimento espiritual. PARACLETOLOGIA 22

 

O batismo com o Espírito foi prometido por Jesus Cristo:

At 1.5: Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.

O batismo com o Espírito Santo é uma prova do cumprimento da profecia veterotestamentária em Jesus Cristo:

At 2.16: Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo.

Tem o objetivo de revestir os discípulos a testemunharem de Jesus:

Lc 24.49: E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.

At 1.4-8: E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.

At 4.31-33: E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus. E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. PARACLETOLOGIA 23

 

Nos dias bíblicos, o sinal do batismo com o Espírito Santo era o dom de línguas:

At 2.4: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

At 10.44-46: E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus.

Ef At 19.6: E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.

O Batismo aconteceu durante momentos de comunhão entre os irmãos:

At 2.1-4: E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Em momentos de oração com imposição de mãos:

At 8.17: Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.

Durante a pregação e ensino da Palavra de Deus:

At 10.44: E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.

At 11.15: E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio. PARACLETOLOGIA 24

 

A manifestação do Espírito Santo não se encerrou nos dias bíblicos:

Segundo o apostolo Pedro, essa manifestação do Espírito Santo não se extinguiu depois dos dias apostólicos, mas deve ser comum aos crentes de todas as épocas que forem chamados por Deus:

At 2.39: Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. PARACLETOLOGIA 25

 

  1. OS DONS ESPIRITUAIS

Os dons do Espírito Santo são manifestações que objetivam a edificação da igreja. Uma forma que Deus usa para outorgar poder ao crente, capacitando-o para servir intensamente.

1Co 12.7: 7 Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.

Dons do Deus Pai:

Estes dons são concedidos ao homem e estão ligados ao propósito inicial do Deus Pai. Profecia, ministério, ensino, exortação, doação, presidência e misericórdia.

Rm 12.6-8: De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.

Dons do Deus Filho:

São dons ligados ao ministério de Cristo, como a fundação e manutenção de Sua igreja e o estabelecimento de ministros para continuar Sua obra: Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores.

Ef 4.11: E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

Dons do Deus Espírito Santo:

São dons ligados ao ministério do Espírito Santo enquanto Consolador, guia e ajudador da igreja. São manifestações do Espírito que influenciam o homem a falar, a operar Seu poder e mesmo a revelar debaixo da sabedoria Divina.

1Co 12.7-11: Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; PARACLETOLOGIA 26

 

e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

Estes dons são dados ao crente segundo a vontade do Espírito Santo e para atender às necessidades da igreja, mas a bíblia incentiva a buscar estes dons em oração.

1Co 12.11: Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

1Co 12.31: Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.

1Co 14.1: Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.

A teologia pentecostal divide os dons espirituais em três classes, com base no texto de 1Coríntios 12:

DONS DE REVELAÇÃO

Ø Palavra da Sabedoria (v.8)

 

É uma manifestação sobrenatural do Espírito Santo que capacita o homem a aplicar a Palavra de Deus a situações específicas. É útil para aconselhamento e para que os pregadores da palavra falem aquilo o que a igreja precisa ouvir, mesmo diante da grandeza e complexidade da Bíblia.

At 6.10 Não podiam resistir a sabedoria com que Estevão falava.

Ø Palavra do Conhecimento (v.8)

 

É um tipo de mensagem verbal iluminada pelo Espírito Santo. Mediante a manifestação desse dom pelo Espírito, há o conhecimento específico a respeito situações, pessoas ou circunstâncias que, de outra forma, seriam desconhecidas por aquele no qual o dom se manifesta. PARACLETOLOGIA 27

 

At 5.1-3: Mas certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?

Ø Discernimento de Espíritos (12.10)

 

É a capacidade de distinguir a origem de uma mensagem, se o Espírito Santo, se a emoção humana ou mesmo um espírito demoníaco.

1Jo 4.1: Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.

DONS DE PODER

Ø Fé (12.9)

 

Este dom não é a fé para a salvação, mas uma fé sobrenatural dada pelo Espírito Santo de modo que o cristão creia em Deus para a realização de coisas extraordinárias e milagrosas.

Ø Curas (12.9)

 

São dons para a cura de doenças, a restauração da saúde física.

At 3.6-8: E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram. E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.

Ø Operação de Milagres (12.10)

 

Intervenções sobrenaturais na própria natureza. PARACLETOLOGIA 28

 

Mt 8.26,27 E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pequena fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

DONS DE ELOCUÇÃO

Ø Profecia (12.10)

 

Profetizar é proferir os oráculos de Deus, é falar iluminado, impulsionado pelo Espírito Santo.

1Co 14.1: SEGUI o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.

Esse dom pode envolver questões pessoais.

1Co 14. 3: Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.

Previsões futurísticas

At 11.27,28: E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.

At 21.10: E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.

Anunciar a Palavra de Deus

Embora a predição futurística esteja vinculada à profecia, mesmo nos tempos veterotestamentários, profetizar não significa predizer o futuro, mas proclamar a PARACLETOLOGIA 29

 

vontade de Deus. Assim, o próprio ato de anunciar as verdades bíblicas, iluminado por Deus, é profetizar a Sua vontade.

1Co 14.25: Tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós.

Sempre com o objetivo de edificar a igreja

1Co 14. 3 Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.

É importante ressaltar que a profecia como dom espiritual não é inspirada por Deus como as escrituras, ou seja, não é infalível.

Os profetas e demais escritores bíblicos foram inspirados pelo Espírito de Deus a escreverem segundo a vontade Divina, de modo que, apesar de seu intelecto e vontade não serem anulados, escreveram apenas o que aprouve a Deus.

No caso dos dons de espirituais, o homem fala sob impulso do Espírito Santo e não inspirado por este, de maneira que, apesar da presença inquestionável do Espírito, podem ocorrer falhas.

Assim, a igreja deve analisar muito bem tudo o que ouve e nunca se esquecer da exclusividade da Palavra de Deus para a educação cristã. Toda a profecia deve estar submetida à Bíblia Sagrada.

1Co 12.3: Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o SENHOR, senão pelo Espírito Santo.

1Jo 4.1: AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

1Ts 5.20,21: Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. PARACLETOLOGIA 30

 

 

Ø Variedades de Línguas (12.10)

 

O fenômeno da variedade de línguas (Gr:= Glossolalia) envolve:

Línguas humanas

At 2.4-8: E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?

Os discípulos falavam a respeito das maravilhas de Deus nas línguas nativas dos ouvintes que visitavam Jerusalém. Eles nunca haviam estudados tais idiomas, mas estavam sendo impulsionados pelo Espírito Santo.

Línguas estranhas

Palavras desconhecidas que somente Deus é capaz de entender, de modo que nem aquele que fala, apesar de ser edificado quando fala, compreende seu significado.

1 Co 14.2: Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.

1 Co 14.14,16 Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes.

Línguas de anjos?

O apóstolo Paulo escreveu a seguinte passagem:

1Co 13.1: AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. PARACLETOLOGIA 31

 

Com base neste texto, alguns ensinam erroneamente que o dom de línguas manifesta línguas angelicais. Porém, observando o contexto de 1Co 13, sequer é possível afirmar se existe um idioma de anjos. Na verdade, os versículos seguintes são marcados por várias hipérboles, como “todos os mistérios”, “transportar montanhas”, “distribuir fortunas”, “entregar o corpo para ser queimado”, etc.

Além disso, o capítulo seguinte ensina que ninguém entende as línguas estranhas, senão o próprio Deus. Evidentemente, se o texto falasse de línguas angelicais, os anjos compreenderiam o que está sendo falado.

1Co 14.2: Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.

Não há, portanto, nenhum respaldo bíblico para afirmar que o Espírito Santo conceda ao homem o dom de falar em línguas angelicais.

A liturgia

O uso deste dom durante a liturgia do culto deve ser equilibrado e seguido de interpretação, para que haja edificação através do significado da mensagem.

1 Co 14.27,28: E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.

É importante lembrar que a manifestação do Espírito Santo em dons espirituais nunca deixa a pessoa em estado de êxtase, pois o próprio Deus ensina a sobriedade e racionalidade na adoração e serviço a Ele:

Rm 12.1: ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

1Tm 3.2: Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.

2Tm 4.5: Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. PARACLETOLOGIA 32

 

 

Ø Interpretação de Línguas (12.10)

 

É a capacidade de interpretar o significado das línguas estranhas sob o impulso do Espírito Santo. O objetivo é o consolo, a exortação e a edificação da igreja. Aquele que fala em línguas precisa buscar o dom de interpretá-las.

1Co 14.13: Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar PARACLETOLOGIA 33

 

  1. O FRUTO DO ESPÍRITO

Gl 5.22: Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

O apóstolo Paulo ensina a respeito do fruto inerente àqueles que receberam o Espírito Santo, o fruto do Espírito. É a influência do Espírito de Deus sobre o comportamento do homem a fim de que este vença o poder do pecado.

Rm 8.5-14: Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

2Co 6.6: Na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido,

Ef 4.2,3: Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.

Ef 5.9: Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade.

Cl 3.12-15: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.

2Pe 1.4-9: Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.

O texto de Gálatas diz “fruto”, no singular, pois não são diversos, mas de um único fruto composto por nove elementos:

Ø Amor

 

A primeira faceta do fruto do Espírito é o amor (gr. ágape): Dedicação e busca do bem do próximo sem esperar recompensa. Esse sentimento deve ser comum ao crente que possui o Espírito, pois:

1Jo 4.8: Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.

O amor não é um dom espiritual, mas sim um mandamento neotestamentário oriundo do próprio Senhor Jesus:

Jo 13.34: Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.

Paulo lista alguns elementos peculiares ao verdadeiro amor:

1 Co 13.4-8: O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará

 

Ø Alegria

 

A alegria (Gr: chara) como fruto do Espírito é algo que vai além das circunstâncias terrenas e temporais, ou seja, não depende do homem estar desfrutando de um momento de prosperidade ou conquista, mas da presença do Espírito em seu coração.

A alegria temporal é condicionada às circunstâncias, mas a alegria do Espírito preenche os corações mesmo nas circunstâncias mais adversas. É fato que o homem cheio do Espírito não se alegra pelas adversidades, mas se alegra mesmo passando pela adversidade, pois sua alegria vem do Senhor pelo Seu Espírito.

2Co 6.10 entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.

1 Pe 1.8 Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,

Fp 4.4: Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.

Ø Paz

 

Paz (Gr: eirene) não é a ausência de guerras, mas a paz de Deus na vida do crente.

No salmo 91, é descrita uma cena de guerra:

Sl 91.5-7: Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia, Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia. Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.

Porém, o salmista encontra a paz de Deus mesmo nesse cenário de morte e destruição:

Sl 91.1: AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.

Sl 91.8-12: Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios. Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

A paz de Deus apenas pode ser conquistada quando o homem recebe a Cristo como seu salvador.

Rm 8.6: Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.

Cl 1.2: Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Fp 4.7: E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

Ø Longanimidade

 

A longanimidade (Gr: makrothumia) é ter tolerância para com situações que tirariam a calma, é ser tardio em irar-se. É um atributo divino que deve ser desenvolvido no coração e prática daqueles que receberam o Espírito de Deus.

2Pe 3.9: O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.

Ef 4.1,2: Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.

Ø Benignidade

 

A benignidade (chrestotes) é a atitude de não desejar magoar ninguém, não provocar nenhum tipo de sofrimento. A benignidade é algo interior e está ligada ao sentimento. É a disposição em ser bondoso com o próximo. É uma excelência de caráter, pensar bem a respeito das pessoas.

Ef 4.32: Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

Cl 3.12: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;

Ø Bondade

 

A bondade (gr. agathosune) é uma qualidade exterior, relacionada à ação e à atitude. O termo grego refere-se ao homem bom, cuja generosidade brota do coração. É o zelo pela verdade e retidão. É a repulsa ao mal, expressa em atos de bondade ou na repreensão e na correção do mal.

Mt 21.12,13: E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

Mt 21.14: E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.

Tg 2.17: Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

Gl 6.10: Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.

A pessoa bondosa é disposta a ajudar a quem tem necessidade. O próprio Senhor Jesus, na sua vida terrena, praticava constantes atos de bondade, sobretudo para com os mais carentes. A bondade do crente depende do auxílio do Espírito Santo. A bondade é uma expressão do amor cristão, é a verdadeira prática do bem.

Ø

 

Fé (gr. pistis) significa lealdade, compromisso, fidedignidade e honestidade. O cristão está unido a Deus por uma promessa e a fé é o que torna essa aliança constante e inabalável

Mt 23.23: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.

Rm 3.3: Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?

1Tm 6.12: Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.

2Tm 4.7: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.

Tt 2.10: Não defraudando, antes mostrando toda a boa lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador.

Fé é sinônimo de confiança e, ao lado do arrependimento, forma a conversão. A entrega da alma, as mãos de Cristo alicerçado sobre o conhecimento espiritual. A fé vitalizada pelo amor, pois do contrário, não será a verdadeira fé..

Ø Mansidão

 

Mansidão (Gr: Pautes) é a submissão do homem para com Deus e, por consequência, para com o homem. É o resultado de uma vida humilde, regida pelo Espírito Santo, marcada pela negação do “eu” e pelo amor cristão para com o próximo.

Não é anular a personalidade ou viver em um estado de omissão, mas ser moderado, assertivo, com a capacidade de ter equidade mesmo em momentos de ira, mantendo a humildade e submissão.

Mt 11.29: Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

2Tm 2.25: Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,

1Pe 3.15: Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,

2Co 10.1: Além disto, eu, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas ausente, ousado para convosco.

Ø Temperança

 

Temperança (Gr: egkrateia) é domínio próprio, é controlar os próprios desejos.

1Co 9.25: E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.

1Co 7.9: Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se.

Tt 1.8: Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante.

Tt 2.5: A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.

Cl 3.15: E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    PNEUMATOLOGIA – A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é uma das pessoas da Trindade Divina, sendo constituído da mesma essência da divindade e plenamente Deus, como Deus o Pai e Deus o Filho. A palavra espírito tem sua origem no hebraico – RUAH – ou no grego – PNEUMA – de onde vem a palavra pneumatologia, a doutrina do Espírito Santo.

As doutrinas da Trindade e das pessoas da divindade não são passíveis de entendimento racional pela mente do homem finito, mas são claramente reveladas pela Escritura. Por este motivo, é necessário buscar a confirmação bíblica de todas as afirmações referentes ao estudo da doutrina do Espírito Santo, a pneumatologia.

O Pai e o Filho são termos que indicam relacionamento, da mesma forma, o Espírito Santo é assim chamado pela sua natureza e pela sua operação como a causa da regeneração e santificação dos homens. O Filho é a perfeita imagem de Deus, e o Espírito é a operação do poder de Deus.

A natureza e ofício do Espírito:

Natureza: O Espírito não é uma emanação ou manifestação do poder de Deus, mas uma pessoa eterna e coexistente na essência do Deus único da Trindade Divina, ele é infinito, perfeito e santo possuindo todas as qualidades e atributos divinos em posse de sua pessoa, sendo distinto do Pai e do Filho em uma essência única que é o Deus da Escritura.

2 Coríntios 3,17: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.

O Espírito de Deus é referido já no segundo verso da bíblia e em várias partes do Velho Testamento, porém os hebreus consideravam o Espírito como uma emanação de Deus ou como a simples presença ou o poder de Deus. O Espírito não deve ser visto como criado ou simplesmente emanando ou emanado do poder de Deus, mas como uma pessoa divina coeterna e coexistente com Deus. O Espírito pairava sobre o caos, transformando a matéria criada em um universo ordenado conforme a vontade de Deus.

Gênesis 1,2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

Ofício: O Espírito executa no mundo criado as decisões de Deus, sempre procedente do Pai e do Filho. Ele é a fonte de toda a vida, ele habita no crente e provê a preservação de sua salvação, toda a inteligência dos seres vivos, desde a estrutura genética das plantas e animais microscópicos até o mais sofisticado cientista, tem sua fonte única na onipresença e onisciência do Espírito de Deus, a matéria é inanimada e só possui vida, movimento e intelectualidade através do Espírito, sempre provindo do Pai e do Filho.

Salmo 104,29-30: “Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó. Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra”.

As operações gerais do Espírito referem-se às obras da criação e providência, pelas quais ele origina, mantém e dirige toda a vida natural, concedendo dons e restringindo o poder do pecado na realização do plano eterno de Deus. As operações especiais do Espírito referem-se à operação da redenção onde ele aplica a obra de Cristo nos escolhidos do Pai, concedendo, unicamente pela graça, os dons da fé, do arrependimento e preservando a salvação, pela sua comunhão permanente, durante toda a vida terrena do crente.

Romanos 8,11: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”.

Cristo é a luz do mundo, dele emana todo o conhecimento de homens e anjos, salvos ou caídos, mas o Espírito é quem distribui estes dons, sendo a origem e razão da vida intelectual em toda a terra. O Espírito se relaciona com o homem através da mente extracorpórea, entende-se aqui a mente como a alma (espírito), que constitui juntamente com o corpo a unidade psicossomática do homem. O Espírito opera a natureza racional do homem através da alma, esta ação do Espírito é geral para toda a humanidade e não se relaciona com a ação santificadora que exerce nos regenerados para a preservação de sua salvação.

Jó 32,8: “Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz sábio”.

Jó 35,10-11: “Mas ninguém diz: Onde está Deus, que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite, que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?”.

Esta sabedoria referida nestes versos, no livro de Jó, pode ser a sabedoria secular: cientistas, artistas, técnicos e enfim, todas as qualidades intelectuais que fazem o homem sábio em suas atividades no mundo.

O dom artístico e especial também provém do Espírito.

Êxodo 31,2-5: “Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores”.

A habilidade política e administrativa também é concedida pelo Espírito, como se pode ver em Moisés, Josué, nos Juízes, em Gideão e todos os líderes do povo judaico e também de outros povos, como por exemplo: Ciro e Dario.

Números 27,18: “Disse o SENHOR a Moisés: Toma Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe as mãos”.

Ofício do Espírito na redenção do homem:

A encarnação: O corpo de Cristo no ventre da virgem foi gerado pelo poder de Deus através do Espírito Santo.

Lucas 1,35: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

A natureza humana de Cristo: Os dons da natureza humana de Cristo foram elevados a um patamar superior ao de todos os homens da história da humanidade através da ação do Espírito.

João 3,34: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida”.

O profeta Isaías já profetiza este fato alguns séculos antes:

Isaías 42,1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios”.

A revelação: o Espírito é o único revelador da verdade divina, todos os profetas falaram pelo Espírito, todos os escritores bíblicos foram inspirados pelo Espírito e toda a revelação da Palavra aos eleitos de Deus é feita através do Espírito.

Miquéias 3,8: “Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do SENHOR, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel, o seu pecado”.

É preciso lembrar sempre que a ação salvadora e preservadora do Espírito é proveniente da graça de Deus e da redenção adquirida por Cristo, sendo que o Espírito atua procedente do Pai e do Filho, toda a ação da salvação e da revelação da Palavra é obra da Trindade Divina, operada pelo Espírito em pleno consenso dentro da Trindade.

Lucas 11,13: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”.

A verdade de Deus: toda a verdade é revelada pelo Espírito, que transmite este conhecimento aos homens em maior ou menor grau, conforme os dons definidos pela graça de Deus, mas também pode trazer aos reprovados a operação do erro, afim de que não vejam, não ouçam e não sejam salvos. Os réprobos, todavia, não necessitam da operação do erro para que não venham a crer, pois o homem natural não discerne as coisas de Deus e nem pode conhecê-las, pois elas somente se conhecem através do Espírito.

1 Coríntios 2,14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

O ofício geral da redenção: todas estas funções do Espírito conduzem a uma atividade particular na redenção do homem que pode ser definida como: transmitir o conhecimento, convencer o mundo do pecado, aplicar o dom da fé em Cristo aos eleitos justificados, regenerar o homem e preservar sua salvação, trazer o arrependimento e a necessidade de mudança de vida, unir os crentes a Cristo e a si mesmos através da igreja.

A restrição do pecado: esta também é uma importante função do Espírito onde ele atua restringindo a possibilidade de homens e anjos caídos realizarem todo o mal que pretendem.

Pode-se ver, desta forma, que o Espírito Santo é o operador de toda a verdade, da santidade, da consolação e preservação dos eleitos e da igreja, assim como o equilíbrio do mundo pela restrição da maldade pretendida pelos réprobos e anjos caídos.

A DOUTRINA DO ESPÍRITO NA IGREJA CRISTÃ

Os cristãos primitivos, até o início do quarto século, acreditavam que havia um Espírito Santo, da mesma natureza do Pai e do Filho, pelo qual eles eram, por meio de Cristo, reconciliados com o Pai. Os crentes confessavam esta fé no ato do batismo e no recebimento da bênção apostólica. Não havia entre os teólogos da época uma definição da pessoa e ofício do Espírito Santo, mas no século terceiro a controvérsia ariana tomou vulto, e o Concílio de Nicéia, em 325 d.C. e logo em seguida o Concílio de Constantinopla, em 381 d.C. foi convocado para definir a doutrina do Espírito Santo.

O Credo Apostólico afirma simplesmente: Creio no Espírito Santo, estas mesmas palavras foram afirmadas no Credo Niceno, mas no Credo de Constantinopla, ficou definida a doutrina do Espírito, com a seguinte forma:

“Creio no Espírito Santo, o divino, o doador de vida, que procede do Pai, o qual deve ser adorado e glorificado com o Pai e com o Filho, e o qual falou pela boca dos profetas”.

O Credo Atanasiano, que veio logo em seguida afirma que:

“O Espírito é consubstancial com o Pai e com o Filho, é eterno e não criado, onipotente, igual em majestade e glória e procede do Pai e do Filho”.

As afirmações do Credo de Constantinopla, complementadas pelo Credo Atanasiano, permanecem até hoje como norma de igreja cristã, sendo todas as variações assumidas pelos arianos, sabelianos, socinianos, arminianos e dispensacionalistas consideradas heréticas e abomináveis a Deus e à igreja de Cristo.

A personalidade do Espírito

A personalidade, ou pessoalidade, do Espírito Santo somente é abordada com clareza no Novo Testamento, mas existem várias afirmações deste fato no Velho Testamento que não foram reveladas aos hebreus como manifestações pessoais, eles consideravam o Espírito como uma emanação do poder de Deus.

Na criação do mundo, de acordo com livro do Gênesis, além do segundo verso, onde o Espírito paira sobre o caos, Deus manifesta claramente a pluralidade de pessoas na sua essência.

Gênesis 1,26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.

Gênesis 11,7: “Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro”.

AS PROFECIAS SOBRE O ESPÍRITO SANTO NO VELHO TESTAMENTO

Existem no Velho Testamento profecias sobre a obra do Espírito Santo e o ministério de Jesus Cristo.

A unção do Espírito:

Isaías 61,1: (*) “O Espírito (RUAH) do SENHOR (YAHWEH) Deus (ADONAI) está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados”.

(*) Também fica definida, neste verso, a pluralidade de Deus, as três pessoas da divindade são apresentadas de forma distinta e pessoal.

O conhecimento:

Isaías 11,1-2: “Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.

A salvação do povo de Deus:

Isaías 44,3: “Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes”.

A regeneração:

Ezequiel 36,27: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

O Pentecostes:

O profeta Joel prevê o derramamento do Espírito no dia de Pentecostes.

Joel 2,28-29: “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”.

A PROMESSA DO ESPÍRITO NO NOVO TESTAMENTO

Antes de sua morte, Jesus prometeu que ele e o Pai enviariam a seus discípulos outro consolador, ou paráclito (Parakletos) – o Espírito Santo – um ajudador e conselheiro que daria continuidade à obra de Cristo. O fato de Jesus prometer outro paráclito indica que Jesus foi o primeiro deles e promete outro que irá proceder à aplicação e manutenção de sua obra, em seu nome e como um dom de Deus, infundindo e mantendo no crente justificado a fé e o arrependimento para a vida, necessários à salvação. O ministério do Espírito Santo é um ministério relacional e pessoal, o que implica na pessoalidade do Espírito.

João 14,16-17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”.

Após sua ressurreição Jesus coloca o Espírito sobre os apóstolos, afim de que o recebessem, como um dom de Deus, para a realização da obra a eles destinada. Pode-se observar claramente pela Escritura, que os apóstolos somente venceram o seu medo e timidez após a ressurreição. A obra dos apóstolos é a continuação da obra de Jesus, motivo pelo qual ele os envia no poder do Espírito.

João 20,22: “E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”.

Os apóstolos não receberam somente a ousadia através do Espírito, mas também foram guiados pela instrução do Espírito em seu ministério.

João 16,13-14: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.

O Pentecostes

O dia de Pentecostes é o dia da comemoração da colheita, era uma data festiva comemorada pelos judeus cinquenta dias após a páscoa, sendo uma festa importante no calendário judaico. Este foi o dia em que os primeiros cristãos receberam o Espírito publicamente, como demonstração do poder de Deus, falando em línguas diversas que eram entendidas pelos judeus de diversas localidades que haviam vindo a Jerusalém para a festa.  Este foi um milagre de Deus, e, como todo o milagre, teve uma finalidade específica e determinada, demonstrando aos presentes o poder de Deus em Cristo através do Espírito para a salvação daquele que crê, tanto gentios como judeus.

Pode-se notar claramente nos versos abaixo, no livro de Atos, que as línguas faladas neste dia eram perfeitamente inteligíveis às pessoas presentes, tratando-se de línguas utilizadas usualmente em diversos outros países e regiões, línguas oficiais e reconhecidas pelos visitantes presentes como linguagem corrente em seus países de origem. Não se pode utilizar estes versos para justificar o falar em línguas que se vê hoje nas igrejas pentecostais, que não passam de grunhidos e sons grotescos e ininteligíveis, constituindo nada mais que superstição grosseira que desonra a igreja de Cristo.

Atos 2,4-6: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua”.

João Batista profetizou que Jesus batizaria com o Espírito, este fato havia sido previsto no Velho Testamento pelo profeta Joel e Jesus tinha repetido a promessa. O Pentecostes selou de forma definitiva o final da era do Velho Testamento e marcou o início do cristianismo. A partir do derramamento do Espírito no Pentecostes, o desenvolvimento do ministério cristão recebeu um avivamento formidável que o levou a todos os povos do mundo conhecido naquela época.

Colossences 1,6: “Que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade”.

A pessoalidade do Espírito Santo:

O Espírito Santo é descrito na Escritura como uma pessoa, tanto quanto o Pai ou o Filho. A negação da pessoalidade ou divindade do Espírito se constitui em heresia grave, pois nega a Trindade Divina e como consequência todo cristianismo. Por outro lado, existe hoje na igreja evangélica grande abuso no relacionamento com o Espírito nas religiões pentecostais e carismáticas.

É necessário muito cuidado com as referências e relações com o Espírito, não é possível ter muito ou pouco de um ser infinito, também não é possível a um ser onipresente estar em um lugar e não estar em outro, também não é possível a um ser onipotente estar em algum lugar com muito poder e em outro com menor poder, não se deve esquecer que o Espírito é Deus e usar o seu nome em vão é desobedecer aos mandamentos divinos, principalmente ao terceiro, que é o único mandamento que vem com advertência.

Êxodo 20,7: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

Nenhuma igreja ou denominação detém o poder de manipular o Espírito pretendendo fazer uso de seu poder em batismos, curas ou qualquer outra atividade, o batismo é em o nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo e não no Espírito.

João 3,8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Provas bíblicas da pessoalidade do Espírito Santo:

O Espírito Santo Fala:

Atos 8,29: “Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o”.

O Espírito Santo ensina:

João 14,26: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.

O Espírito Santo busca:

1 Coríntios 2,10: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”.

O Espírito Santo testemunha:

João 15,26: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”.

O Espírito Santo determina:

1 Coríntios 12,11: “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente”.

O Espírito Santo intercede:

Romanos 8,27: “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos”.

O Espírito Santo se aborrece:

Efésios 4,30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

Estas afirmações somente podem ser dirigidas a um ser pessoal.

A divindade do Espírito Santo

O Espírito Santo é representado na Escritura como possuindo a autoridade e os atributos divinos, os Pais da Igreja nunca apresentaram dúvidas quanto à divindade do Espírito e também concordam com o fato de que ele é uma pessoa.

No velho testamento as realizações de Deus e do Espírito são usadas frequentemente de forma intercambiável.

Salmo 51,11: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito”.

Salmo 104,30: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra”.

A bênção apostólica:

2 Coríntios 13,14: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”.

A fórmula batismal:

Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

O Espírito Santo é eterno:

Hebreus 9,14: “Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”

O Espírito Santo é Onipresente:

Salmo 139,7: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?”

Deixar de reconhecer a divindade do Espírito Santo é perverter e deturpar a doutrina da Trindade, perdendo-se assim o conhecimento do verdadeiro Deus. Não há serviço ou louvor verdadeiro quando o Deus da Escritura não é cultuado: o Deus da Trindade Divina.

Oséias 6,6: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”.

As obras de Deus são realizadas pelo Espírito:

Criação:

Jó 33,4: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida”.

Encarnação:

Mateus 1,18: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo (*)”.

(*) Pelo poder de Deus, através do Espírito Santo.

Regeneração:

João 3,5: “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”.

A nova vida:

Romanos 8,11: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”.

As profecias:

2 Pedro 1,21: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

Vê-se ainda que no livro de Isaías, onde ele apresenta o SENHOR dos exércitos falando, o apóstolo Paulo reapresenta estes mesmos versos no livro de Atos como o Espírito assumindo esta fala;

Isaías 6,5-9: “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.  Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais”.

Atos 28,25-26: “E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estas palavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis”.

Novamente em Isaías, onde Deus foi contristado, o Espírito foi contristado e se tornou em inimigo pelejando contra eles.

Isaías 63,7-10: “Celebrarei as benignidades do SENHOR e os seus atos gloriosos, segundo tudo o que o SENHOR nos concedeu e segundo a grande bondade para com a casa de Israel, bondade que usou para com eles, segundo as suas misericórdias e segundo a multidão das suas benignidades. Porque ele dizia: Certamente, eles são meu povo, filhos que não mentirão; e se lhes tornou o seu Salvador. Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu, os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles”.

PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

A maior prova da divindade do Espírito Santo é o pecado imperdoável conforme afirmado por Jesus quando confrontado pelos fariseus quanto à realização dos milagres em seu ministério. Os fariseus atribuíram os milagres de Jesus, executados através do Espírito Santo, a espíritos vulgares – a Belzebu, o chefe dos demônios – desprezando e blasfemando contra a ação do Espírito, o que provocou a reação de Jesus, afirmando que esta blasfêmia jamais seria perdoada neste mundo nem no mundo do provir. Esta é uma revelação inconteste da dignidade absoluta do Espírito.

A blasfêmia contra o Espírito santo:

Mateus 12, 31-32: “Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir”.

O Espírito Santo tem o ministério de atuar na vida dos crentes, aplicando e preservando a salvação adquirida por Cristo.

A perseverança do crente somente é possível pela ação do Espírito, o homem natural, ou mesmo o regenerado, não tem capacidade, por si mesmo, para manter sua salvação. O Espírito também atua nos homens ímpios e nos anjos caídos, mantendo-os sempre voltados para o mau, mas exercendo a função de restrição do pecado, de forma que estes homens e anjos nunca conseguem executar todo o mal que pretendem. Ele habita nos crentes e também defende o crente das operações dos ímpios e do maligno, Satanás não está autorizado a tocar nos filhos de Deus.

Jó 1,12: “Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR”.

Por tudo que já foi dito, pode-se afirmar que o Espírito é uma pessoa e sua atuação é pessoal, por isso, são revelados na bíblia, alguns pecados contra o Espírito.

Mentir ao Espírito é mentir a Deus:

Atos 5,3-4: “Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus”.

Entristecer o Espírito:

Efésios 4,30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

Resistir ao Espírito:

Atos 7,51: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis”.

O pecado contra o Espírito é gravíssimo, como afirmou Jesus, todavia, não se deve esquecer que as pessoas que assim o fazem foram destinadas a isso na eternidade, os ímpios existem para que a glória de Deus se manifeste na salvação dos eleitos, e continuam praticando o mal para que se encha a medida de sua iniquidade.

Gênesis 15,16: “Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus”.

Mateus 23,32: “Enchei vós, pois, a medida de vossos pais”.

PRINCIPAIS HERESIAS RELACIONADAS AO ESPÍRITO SANTO

Movimentos principais: A personalidade e/ou divindade do Espírito Santo foi negada na igreja primitiva pelos monarquistas sabelianos, pelos pneumatomaquianos, arianistas e outros.

Monarquismo: A divindade e pessoalidade do Espírito Santo foram negadas por Sabellius no terceiro século desta era e deu origem ao movimento chamado monarquismo. Sabellius sustentava que não existiam três pessoas na deidade, mas um só Deus que se manifestava em três formas diferentes (modalismo).

Arianismo: O bispo Árius, da igreja de Alexandria, também no terceiro século, sustentava que Cristo foi criado por Deus como um deus de menor poder, que por sua vez trouxe à existência o Espírito Santo. Dessa forma existiam três deuses diferentes (triteísmo).

Pneumatomaquianos: Também chamados macedônios, em referência ao bispo Macedônio, opunham-se à divindade do Espírito Santo, isto foi no final do século IV.

Socinianos: Durante a reforma, os socinianos, baseados nas idéias de Lélio Socínio, propagadas por seu sobrinho Fausto Socínio, consideram que em Deus há uma única pessoa e que Jesus Cristo é um homem comum.

Unitarianismo (Os irmãos que negam a trindade): O unitarianismo foi inicialmente uma manifestação dentro da reforma protestante, o intelectual espanhol Miguel de Servetto discordou da doutrina da Trindade e publicou vários livros a este respeito dando início às primeiras igrejas unitárias, os anabatistas. Este unitarismo pode se manifestar como uma forma de modalismo, ou seja, Deus é um só que se manifesta de várias formas ao longo da história, ou ainda pode também considerar Deus como uma só pessoa que é o pai de Jesus, um homem que foi elevado à divindade no seu batismo, ou ainda uma forma de arianismo. Esta vertende existe até hoje e não há uma definição única em sua manifestação.

O testemunho Interior do Espírito Santo

A Escritura revela por si mesma a prova inquestionável de sua autoridade divina, além disso, apresenta muitos sinais desta autoridade, todavia todas essas provas e evidências não são por si mesmas suficientes para persuadir qualquer pessoa de sua veracidade. Este convencimento e persuasão somente acontecem pelo testemunho interior do Espírito Santo, este era o ensino claro dos reformistas, principalmente João Calvino.

Existe uma grande diferença entre apresentar as provas e persuadir a pessoa, é preciso sempre, expor a Palavra com veracidade, paciência e conhecimento, mas, ainda assim, o ministério do ensino pertence ao testemunho interior do Espírito Santo, que atua unicamente mediante a pregação expositiva fiel das verdades bíblicas, abrindo a mente e o coração do homem para o entendimento e aceitação da Palavra.

Por este motivo, nenhum pregador tem, por si mesmo, a capacidade de conversão de seus ouvintes a não ser pelo ministério do Espírito.

Romanos 8,16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.

Esta persuasão do Espírito não se manifesta em atos exteriores, nem apresenta sinais evidentes da persuasão ou conversão, como por exemplo: falar em línguas ou entrar em êxtase. Muito menos é possível que uma pessoa, seja ela quem for, possa induzir, por sua vontade, algum ato do Espírito.

João 3,8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

A ação do Espírito é interna e pessoal, não se constitui em apresentação de novas informações, nenhum segredo, nada que não seja possível pela simples leitura ou pregação. Ele simplesmente age através da Palavra em conjunção com a graça de Deus e a redenção que há em Jesus Cristo, operando a regeneração que segue à justificação. Somente a pessoa justificada por Deus consegue entender as coisas do Espírito, antes disso a mente humana somente é capaz de pensar e agir em discordância e revolta deliberada contra Deus.

1 Coríntios 2,14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

Iluminação

A iluminação da pessoa destinada à salvação é um ministério do Espírito Santo, ela faz parte da graça concedida por Deus e começa no ato da justificação, despertando o interesse do crente pela Escritura, a curiosidade a respeito de Jesus Cristo, a compreensão progressiva da Palavra, a necessidade de se congregar com outros crentes e o serviço na obra de Deus.

A iluminação do Espírito se manifesta unicamente pela aceitação absoluta das verdades da Escritura – a soberania de Deus, a suficiência do sacrifício de Cristo e a total incapacidade humana – sem este entendimento, a iluminação do Espírito certamente não aconteceu, é isto exatamente o que diz Jesus.

João 16,13: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”.

Existe, de fato, bastante radicalismo nisso; deve-se culpar a Jesus? Ele diz que o Espírito guia a “TODA A VERDADE”. Não é uma aceitação parcial da Escritura, não é uma salvação a ser complementada, não é uma salvação a ser aceita ou rejeitada; todas essas coisas não provêm do Espírito, mas do ego humano.

O Espírito certamente guiará os filhos de Deus a “TODA A VERDADE”; ou então, o homem, ainda natural, acreditando em seus próprios méritos, engana-se a si mesmo em uma religiosidade vazia e desprovida de sentido que não leva à salvação de forma alguma, mas à hipocrisia, ao engano e à mentira.

Romanos 3,3-4: “E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado”.

A OBRA DO ESPÍRITO NA SALVAÇÃO

Regeneração, o novo nascimento:

A regeneração:

A regeneração é o dom da graça de Deus, é a obra sobrenatural do Espírito Santo realizada no salvo após a justificação pela exclusiva determinação de Deus. A Escritura revela que o homem natural não tem a capacidade de escolher a Deus, mas que todos os salvos foram escolhidos por Ele, por isso o ‘novo nascimento’ implica não só em uma nova vida agora, como também a vida eterna no mundo do porvir.

O efeito da regeneração é fazer com que o crente passe da morte para a vida espiritual através da mudança na disposição da mente, voltando o seu pensamento e suas ações para a obediência e o prazer na Palavra de Deus, os dons concedidos na regeneração são: a fé em Cristo e o arrependimento para a vida, desta forma, a justificação antecede à fé, pois a fé é um dom de Deus procedente da salvação, sendo infundida no crente através da ação do Espírito Santo.

Uma criança pode ser regenerada, tanto quanto um adulto ou idoso ou ainda uma pessoa incapaz, não existe a consciência de quando ou onde ocorreu a regeneração, somente se pode perceber a regeneração pelo amor a Cristo e a aceitação incondicional da Palavra (veja acima: “TODA A VERDADE”).

João 3,5-7: “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo”.

John Gill: “Água e Espírito (twnv – twlm), duas palavras hebraicas que expressam a mesma coisa: “A graça de Deus derramada através do Espírito”.

Habitação:

Quando a pessoa é justificada, ela recebe o Espírito, que passa a habitar com os filhos de Deus.

1 Coríntios 6,19: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”.

Batismo no (ou do) Espírito:

Somente Cristo pode batizar os eleitos com o Espírito Santo, unindo todos em um só corpo que é a Igreja de Deus (a Igreja Universal), nenhuma igreja, eclesiástico ou denominação detêm o poder de batizar no Espírito ou salvar quem quer que seja.

A expressão Batismo no Espírito ou Batismo do Espírito não existe na bíblia, somente a expressão Batismo com o Espírito e somente Jesus batiza com o Espírito:

– A previsão de João Batista:

Mateus 3,11: “Eu vos batizo com {com; ou em} água, para {para; ou à vista de} arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com {com; ou em} o Espírito Santo e com {com; ou em} fogo”.

Marcos 1,8: “Eu vos tenho batizado com {com; ou em} água; ele, porém, vos batizará com {com; ou em} o Espírito Santo”.

Lucas 3,16: “Disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com {com; ou em} água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com {com; ou em} o Espírito Santo e com {com; ou em} fogo”.

João 1,33: “Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com {com; ou em} água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com {com; ou em} o Espírito Santo”.

Em todos os versos paralelos nos evangelhos, João Batista afirma o seu batismo com água para arrependimento, ao passo que Jesus iria batizar com o Espírito. Ele contrasta o sinal externo do batismo, que é a água com o sinal interno que é privativo dos eleitos de Deus por intermédio de Cristo somente: o batismo com o Espírito.

O Pentecostes:

Joel 2,28: “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões”.

Jesus promete que ele iria batizar os apóstolos com o Espírito no dia de Pentecostes, esta é uma promessa feita através do profeta Joel no Velho Testamento que foi cumprida neste dia, mas vemos que nenhum ministro ou apóstolo efetuou o batismo, este batismo com o Espírito aconteceu espontaneamente, pela única ação de Deus em Cristo, sem adição de nenhuma iniciativa por parte dos apóstolos.

Atos 1,5: “Porque João, na verdade, batizou com {com; ou em} água, mas vós sereis batizados com {com; ou em} o Espírito Santo, não muito depois destes dias”.

O que vemos aqui é que Jesus não outorgou a nenhum dos apóstolos este batismo, ele mesmo envia o seu Espírito a batizar aqueles destinados à salvação.

O verdadeiro sentido do batismo com o Espírito está na Carta aos Coríntios, esta sim é uma declaração da universalidade do batismo como um ato salvífico de Cristo.

1 Coríntios 12,13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.

Este verso se refere ao batismo real, aquele que não é apenas uma manifestação externa ministrada pelo homem, este batismo é o “novo nascimento” outorgado diretamente pela graça de Deus em Cristo na justificação do crente, este é um ato divino concedido a todos os que passam, pela graça de Deus, a fazer parte do reino de Deus, ou da Igreja Universal que não é conhecida dos homens, somente Deus conhece seus filhos.

João 3,6: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Este é um ato único que ocorre uma só vez na vida do eleito, a partir deste momento ele é eternamente salvo e jamais poderá perder esta salvação, pois é uma obra de Deus e não do homem, por este motivo, Jesus promete a suas ovelhas, nada menos que a vida eterna, não existe em toda a bíblia uma única justificativa, que seja, para a necessidade de uma segunda obra do Espírito na vida do crente, esta é, sem dúvida, uma heresia grave que não deve ser aceita em nenhuma hipótese.

João 10,27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”.

Não existem classes de crentes diferenciadas através de sacramentos, esta idéia é herética e antibíblica.

O maior perigo dos dons espirituais na atualidade constitui-se no ensino fundamental das igrejas pentecostais e carismáticas: O Batismo no (ou do) Espírito.Esta é uma concepção, segundo a qual o crente precisa de uma nova obra de salvação que se manifesta em dons, supostamente concedidos pelo “espírito” e imediatamente após esse “batismo”.

A consideração pentecostal é que a pessoa a ser imersa é o “velho homem”; a mesma pessoa que emerge do batismo é o “novo homem” prenunciado no evangelho. Além da necessidade totalmente antibíblica da segunda obra da salvação o Batismo no Espírito atribui ao homem que batiza a capacidade da salvação e do novo nascimento, o que é uma heresia e uma versão moderna do pecado imperdoável, pois atribui ao homem a ação do Espírito, que procede somente do Pai e do Filho.

Já foi visto acima que expressão “Batismo no (ou do) Espírito” não ocorre na bíblia, as formas em que a fórmula do batismo ocorre são: Batismo de João, Batismo de Arrependimento ou Batismo com o Espírito Santo, este último realizado exclusivamente por Jesus.

Mateus 21,25: “Donde era o batismo de João, do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não acreditastes nele?”

Lucas 3,3: “Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados”.

O selo do Espírito:

Todos os homens e mulheres eleitos em Jesus Cristo têm uma garantia eterna de que perseverarão até o final e serão glorificados, essa regeneração somente pode acontecer pela obra do Espírito Santo, o selo e o penhor do Espírito são outorgados por Deus de forma imediata e permanente no ato da justificação.

É completamente errado e herético pensar que o crente somente irá receber o selo ou o penhor do Espírito pela perseverança e aperfeiçoamento após a justificação
(Lloyd Jones), o selo e o penhor do Espírito fazem parte imediata da justificação, que é um ato judicial de Deus.

2 Coríntios 1,22: “Que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração”.

Não se deve, em hipótese alguma, fazer distinções entre os crentes, sempre irão existir diferenças entre estes crentes, os dons de Deus são diversos e distribuídos pelo Espírito como convém a ele, não existem crentes mais santos ou melhores que outros, existem sim, crentes com dons diversos, mas isto não implica em diferença por classes, pois a eleição é eterna e assim é o chamado de Deus, uma vez que o crente foi justificado, ele está eternamente salvo.

A única diferença que existe é entre os eleitos e os réprobos, não importa o quanto estes réprobos sejam religiosos e falem em nome de Cristo, eles jamais aceitarão toda a Palavra sem que coloquem jeitosamente, à exemplo dos fariseus, alguma restrição.

Romanos 11,29: “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”.

Encher-se do Espírito:

O enchimento com o Espírito é um dom de Deus, ninguém é capaz, por si mesmo, de atingir esta meta; a plenitude do Espírito nos crentes leva ao crescimento e amadurecimento no conhecimento e na adoração a Deus em Cristo. Este é um assunto delicado, não existe perante Deus um crente melhor ou mais habilitado que outro, não existem categorias de crentes, todos os eleitos são exatamente iguais perante Deus, pois ninguém é salvo pelos seus méritos, mas, todos são salvos somente pela justiça perfeita de Cristo, que é a mesma para todos.

Não existem pecadores condenados e santos salvos, o que existe são pecadores condenados e pecadores salvos pela justiça de Cristo. Os eleitos, já regenerados, apesar de constrangidos, continuam nos seus pecados e delitos carregando o peso do pecado original e dos pecados do dia a dia, incapazes em toda sua vida de agradar a Deus e perseverar em sua salvação à parte da comunhão permanente do Espírito.

Efésios 5,18: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”.

Isto não exime os crentes de se esforçar e procurar sinceramente dentro de si, força e determinação para cumprir os mandamentos e agradar a Deus, orando sempre e sabendo que somente irão perseverar através da graça de Deus em Cristo, aplicada pelo Espírito, todavia, o verdadeiro crente tem seu prazer e segurança na soberania de Deus.

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Orientação:

Os crentes são instruídos e direcionados pelo Espírito na preservação, capacitação e orientação visando uma vida agradável a Deus, o que é impossível sem a intervenção divina, mesmo para os crentes regenerados e maduros na fé.

Gálatas 5,16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”.

O Espírito Santo como Santificador

Na primeira carta do apóstolo Pedro, Deus diz: ‘Sede santos, porque eu sou santo’. O Deus cristão não é um deus caprichoso e cruel que enche seus filhos de desejos e exige continência, esta frase acima não é uma ordem, mas um decreto, tanto no Velho quanto no Novo Testamento.

Ninguém é interiormente santo no sentido de perfeição moral, a santidade no sentido da perfeição moral é própria somente de Deus, a santidade do homem se refere a um relacionamento com Deus, à simples separação entre os réprobos e os eleitos, mas jamais à perfeição moral que nunca será atingida por nenhum homem.

Por este motivo Deus envia aos seus filhos o seu Espírito que os ajuda e intercede por eles, de forma que o pecador justificado é regenerado e persevera na salvação somente pela ação contínua do Espírito durante toda sua vida terrena.

A perseverança se traduz no acatamento da Palavra de Deus e da fé em Cristo, pela qual, todo o louvor e adoração a Deus devem ser feitos conforme estabelecido em sua Palavra, todo o resto é invenção humana que nenhum valor tem para a glória de Deus e a fé em Cristo.

Apocalipse 14,12: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”.

O que é a justiça do salvo? A justiça do salvo é a justiça de Cristo somente, ninguém possui justiça própria que o justifique ou constitua mérito para a salvação, por este motivo a justiça de Cristo tem que ser aplicada continuamente pelo Espírito, que irá prover a preservação do crente durante toda a sua vida terrena.

1 – Em primeiro lugar, todos os salvos são santificados com base no sacrifício de Cristo, que morreu em lugar do pecador e conquistou a justiça que jamais seria possível ao homem, quem é justificado recebe, pelo Espírito, o dom da fé em Cristo, quem crê no filho de Deus recebe a sua justiça por imputação.

Mateus 9,6: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados—disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”.

2 – Em segundo lugar, o crente somente é santificado nesta vida pela ação do Espírito Santo, que o capacita para agir de maneira agradável a Deus, veja, por exemplo, que crentes em Filipos, que já haviam recebido a unção do Espírito, temiam a Deus e eram obedientes e disciplinados.

Filipenses 2,12-13: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

O temor a Deus somente é válido quando se acredita no Deus triúno, soberano e determinador, transcendente e acima do tempo, do universo e de todas as criaturas criadas, somente esta visão da grandiosidade e soberania de Deus, presente igualmente em todas as pessoas divinas pode levar o crente ao temor e à verdadeira adoração.

Se alguém acredita em um deus da mesma natureza que ele e este deus vai depender da vontade e decisão do homem para realizar seus planos, temê-lo seria imoral, pois ninguém deve temer uma criatura da mesma natureza, pois todo aquele que acredita no livre-arbítrio está criando uma obrigação para Deus, que deverá
salvá-lo pelos seus próprios méritos: Se existe uma obrigação de Deus para com o homem, então, por que temê-lo?

A soberania de Deus e o ministério do Espírito

A salvação é o dom de Deus em Cristo, a obediência e o desenvolvimento da salvação também é um dom de Deus através do ministério do Espírito. Se alguém faz algo agradável em relação a Deus é porque assim foi determinado, pois é Ele quem efetua tanto o querer como o realizar através do seu Espírito, por isso, o orgulho e a vaidade não têm lugar na vida do cristão, apenas o temor e a gratidão a Deus.

Tito 3,5: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”.

A vontade e a determinação de Deus é tão abrangente nos crentes como nos ímpios, a soberania de Deus é absoluta no bem e no mal, Deus mantém os crentes, através do Espírito, direcionados para uma vida em constante regeneração. Ao mesmo tempo, mantém os ímpios, também pelo ministério do Espírito, sempre ativamente voltados para o mal, tanto para a execução do mal em si como para receber o ministério do engano.

Não se deve confundir estes fatos; a vontade de Deus não anula a personalidade do homem, este é sempre responsável pelas suas ações em qualquer situação.

1 Pedro 2,7-8: “Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

OS FRUTOS DO ESPÍRITO

O crente, mesmo após receber a justificação, mesmo estando em regeneração pelo Espírito, mesmo sendo salvo, continua pecador, pois o homem jamais conseguirá nesta vida a santidade plena.

A justiça do salvo é somente a justiça de Cristo, o homem não possui justiça própria em nenhuma condição, todavia, os crentes regenerados têm sobre si o Espírito de Deus e isso produz frutos visíveis, são os frutos do Espírito que se manifestam no salvo, unicamente pela ação do Espírito.

Estes frutos do Espírito não constituem mérito para a salvação e não são frutos produzidos pelo crente através da ação do Espírito, são dons de Deus distribuídos pelo Espírito.

OS FRUTOS DO ESPÍRITO CONSTITUEM A MANIFESTAÇÃO VISÍVEL DA SALVAÇÃO, O ESPÍRITO MILITA CONTRA A CARNE E A CARNE CONTRA O ESPÍRITO, NO CASO DOS ELEITOS DE DEUS O ESPÍRITO IRÁ SEMPRE PREVALECER, MAS O PECADO HABITA NO HOMEM E ELE SEMPRE SERÁ TENTADO EM TODA A SUA VIDA.

Gálatas 5,17: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”.

MAS, JULGUE CADA UM A SI MESMO, NINGUÉM DEVE JAMAIS SE ATREVER A PRONUNCIAR JUÍZO INFAMATÓRIO NA OBSERVAÇÃO DOS FRUTOS DO ESPÍRITO EM OUTRAS PESSOAS, POIS SOMENTE DEUS CONHECE SEUS FILHOS E A HORA EM QUE SERÃO CHAMADOS.

TODAVIA, NESTE CASO DO JULGAMENTO CRISTÃO, DEVE-SE FAZER AQUI UMA EXCEÇÃO VIGOROSA AOS FALSOS MESTRES QUE SE INTRODUZEM NA IGREJA PROCLAMANDO DOUTRINAS ESTRANHAS À ESCRITURA, ESTES DEVEM SER COMBATIDOS ABERTA E DECIDIDAMENTE ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS.

Judas 1.3-4: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”.

A natureza dos frutos do Espírito:

Os frutos do Espírito são manifestos em várias graças que não são próprias do homem natural.

Gálatas 5,22: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”.

A unidade dos frutos do Espírito:

Os frutos do Espírito, ao contrário dos dons, são manifestos na vida do crente de forma global, não são manifestos alguns frutos em alguns crentes, mas todos os frutos simultaneamente em todos os que são realmente salvos. Isto porque a finalidade da regeneração é a de conformar o crente a Jesus Cristo.

Filipenses 2,5: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”.

A santidade não será atingida nesta vida, essa pretensão só pode trazer insanidade e hipocrisia. O crente deve ter em mente o esforço constante e humilde para chegar o mais perto possível deste alvo apesar de saber que jamais atingirá a perfeição, mas pela ação do Espírito, poderá progredir em sua santificação paulatinamente durante toda sua vida.

Ora, se alguém recebe estes frutos pela graça de Deus, maior é o seu mérito visto procederem de origem divina, pois desta forma são permanentes e eternos, a soberania de Deus não constitui obstáculo, mas estímulo para os seus filhos perseverarem na salvação, pois o verdadeiro cristão conhece e entrega sua segurança somente à soberania de Deus.

1 Coríntios  9,25: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível”.

Filipenses 3,14: “Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

OS DONS DO ESPÍRITO

Os dons do Espírito são capacidades, além dos talentos naturais das pessoas, dados pela ação interna e sobrenatural do Espírito Santo, estes dons serão descritos no próximo ítem. Esse é um assunto completamente subvertido pelas religiões pentecostais e carismáticas, principalmente, mas muito disto existe dentro da igreja cristã, a esse respeito é preciso fazer algumas considerações:

1 – Estes dons do Espírito não devem ser confundidos com os dons iniciais recebidos pelo cristão convertido (o novo nascimento), que são a fé e o arrependimento para a vida, estes dons resultam da justificação e são comuns a todos os crentes que receberam a graça de Deus em Cristo.

2 – Os dons sobrenaturais do Espírito não podem, de forma alguma, ser considerados como a necessidade de uma segunda obra do Espírito na vida do Cristão. O selo e o penhor do Espírito são concedidos no ato da justificação, neste mesmo ato o crente está salvo eternamente, e todos estes pecadores, regenerados pela graça de Deus, recebem imediatamente o Espírito e jamais perderão a salvação.

Não existem classes ou categorias de crentes, todos os salvos, são pecadores sem mérito algum e tem a seu crédito somente a justiça de Cristo, todos os eleitos justificados são iguais perante Deus que passa a ver todos estes pecadores regenerados como seus filhos adotivos pela ótica da vida de obediência irrestrita e da justiça perfeita de seu Filho amado.

Todo dom do Espírito provém de Deus em Cristo, a obra de salvação é sempre, do começo ao fim, uma obra do Deus triúno, este é um assunto que requer muito cuidado, pois a base da teologia carismática e pentecostal leva à adoração individual do Espírito e atribui a salvação a supostas manifestações físicas imediatas de dons concedidos, principalmente o falar em línguas, desta forma, criam-se classes diferenciadas de crentes, e atribui-se a denominações específicas a exclusividade da salvação, que pertence somente a Deus e não à igreja ou aos seus ministros.

A finalidade dos dons espirituais

Existem algumas questões a respeito dos dons do Espírito, porém muitas certezas reveladas na Escritura; nenhum dom do Espírito é concedido sem propósitos específicos, que são basicamente dois: o conhecimento de Cristo e a edificação da igreja. Se os dons não se encaixam em uma destas duas finalidades, eles são vãos e não procedem do Espírito de Deus.

– Conhecimento:

Todos os dons, concedidos por Deus através do Espírito, visam em última análise o pleno conhecimento de Cristo, sem o que, a obra missionária e a preservação da salvação se perdem por completo.

Efésios 4,11-13: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo. Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”.

– Edificação:

Um dom espiritual nada mais é que a capacidade de glorificar a Deus e transmitir o conhecimento de Cristo, este dom somente é legítimo quando edifica o Corpo de Cristo, isto é particularmente válido para o dom de línguas, é bastante claro que no dia do Pentecostes os cristãos falavam línguas inteligíveis a outros povos ali presentes, pois cada um entendeu perfeitamente o que era dito em seu idioma natal.

Atos 2,7-11: “Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?”

Continuando ainda neste item, segue abaixo a séria advertência do apóstolo Paulo quanto à inutilidade do dom das línguas quando não há entendimento

1 Coríntios 14,18-19: “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua”.

É preciso reafirmar, sempre e novamente, que os dons do Espírito se destinam ao conhecimento de Cristo e à edificação da igreja, ressaltando, porém, que a edificação da igreja provém unicamente do conhecimento, os dons são capacidades doadas pelo Espírito com a finalidade de dar a conhecer Jesus Cristo e participar com a igreja.

Os principais dons particulares distribuídos pelo Espírito e destinados à edificação da igreja são: ministério, ensino, exortação, contribuição, direção, misericórdia com alegria e o amor, que não é em si superior, mas necessariamente acompanha e complementa os outros dons quando verdadeiros, pois não existe superioridade de um dom sobre outro, mesmo considerando as diversas manifestações e atividades resultantes, todos são de igual dignidade.

Romanos 12,6-9: “Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria. O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem”.

O uso dos dons:

Ao contrário dos frutos do Espírito que se manifestam de forma uniforme nos salvos, os dons do Espírito nem sempre significam que a pessoa que os recebe é salva, a resposta a essa questão é como a pessoa usa este dom: a única forma apropriada é a que resulta no conhecimento de Cristo e na real edificação da igreja.

1 Pedro 4,10-11: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”

Todo cristão recebe, de alguma forma, a capacidade de servir a Deus por intermédio de dons espirituais, estes dons provém de Deus, e por isso, todo o crente tem o dever de desenvolver, e principalmente, usar adequadamente estes dons para o serviço que Deus concedeu.

Efésios 4,7: “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo”.

O PERIGO DOS DONS ESPIRITUAIS

Os dons do espírito nem sempre são concedidos como uma bênção, muitas vezes eles são concedidos a pessoas perdidas e sem esperança de salvação, outras vezes eles produzem vaidade ou interesse financeiro nas pessoas que os recebem, tornando-os para perdição. Considerem o exemplo de Judas e Balaão, que receberam os dons do Espírito para sua própria perdição. Balaão recebeu de Deus a permissão para aderir a Balaque na maldição do povo judeu, a maldição não aconteceu, mas o plano sugerido por Balaão para perdição do povo judeu foi bem sucedido, vê-se claramente que todas essas atitudes foram provocadas deliberadamente por Deus e concedidas pelo Espírito que estava sobre Balaão.

Números 22,38: “Respondeu Balaão a Balaque: Eis-me perante ti; acaso, poderei eu, agora, falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei”.

A fórmula batismal em ligação com o dia do Pentecostes:

O derramamento do Espírito no dia do Pentecostes é uma continuidade no cumprimento do ministério de Cristo, o batismo com o Espírito é a obra eficaz da justificação, realizada através da justiça de Cristo, imputada ao crente pela graça de Deus através do Espírito.

João 7,39: “Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”.

O batismo com água é um sacramento e não deve ser confundido, este batismo é apenas a declaração pública da fé em Jesus Cristo, ao passo que, o Batismo com o Espírito é uma ação sobrenatural de Deus na justificação de seus eleitos – o novo nascimento.

A mais importante declaração bíblica a respeito do Batismo com o Espírito está na Carta aos Coríntios, aqui este conceito está explicado de forma correta como uma experiência universal dos eleitos de Deus, esta experiência não divide os cristãos em classes ou categorias de crentes, mas reafirma o sacerdócio de todo o povo de Deus.

1 Coríntios 12,13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.

O Batismo no Espírito não deve ser procurado como uma segunda obra necessária na salvação, muito menos como uma expectativa de santificação nesta vida. A salvação é a obra sobrenatural do Deus triúno, concedida por Deus Pai na eternidade, realizada por Cristo na cruz do calvário e aplicada pessoalmente a cada crente pela obra contínua do Espírito Santo, por todas estas coisas, é preciso ver a obra do Espírito sempre em conexão com a Trindade Divina, o Espírito somente atua na obra da salvação do homem procedente do Pai e do Filho.

João 14,16-17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”.

 

 

 

 

 

 

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